{"id":2962,"date":"2015-03-30T15:34:00","date_gmt":"2015-03-30T19:34:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2962","title":{"rendered":"Em: 30\/03\/2015 &agrave;s 15:34h por"},"content":{"rendered":"<p><span>Pa&iacute;s perde 37% da &aacute;gua que trata, segundo SNIS.<\/span><br \/><span>Vazamentos e liga&ccedil;&otilde;es clandestinas est&atilde;o entre as causadoras das perdas<\/span><\/p>\n<p><span>Quando o assunto &eacute; perda de &aacute;gua tratada, o Brasil ocupa a 20&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em um ranking com 43 pa&iacute;ses. O levantamento foi feito pelo IBNET (International Benchmarking Network for Water and Sanitation Utilities), com dados de 2011. De acordo com o estudo, o Brasil perde 39% de sua &aacute;gua tratada. As perdas antes que a &aacute;gua chegue ao consumidor final incluem casos como vazamentos e liga&ccedil;&otilde;es clandestinas.<\/span><\/p>\n<p><span>Na lista, o Brasil fica atr&aacute;s de pa&iacute;ses como Vietn&atilde; (que perde 31%), M&eacute;xico (24%), R&uacute;ssia (23%) e China (22%). O que mais perde &aacute;gua tratada na lista &eacute; Fiji, um pa&iacute;s insular da Oceania que desperdi&ccedil;a 83% da &aacute;gua que trata. J&aacute; entre os com menor &iacute;ndice de perda est&atilde;o Estados Unidos (13%) e Austr&aacute;lia (7%).<\/span><\/p>\n<p><span>O dado do IBNET em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil em 2011 &eacute; semelhante ao verificado no mesmo ano pelo Sistema Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Saneamento (SNIS), ligado ao Minist&eacute;rio das Cidades. Segundo o &oacute;rg&atilde;o, o &iacute;ndice de perda em 2011 era de 38,8%.<\/span><\/p>\n<p><span>O dado mais atualizado do SNIS sobre as perdas de &aacute;gua tratada no Brasil &eacute; de 2013. Naquele ano, 37% da &aacute;gua tratada no pa&iacute;s foi perdida.<\/span><\/p>\n<p><span>O n&uacute;mero representa 5,8 trilh&otilde;es de litros de &aacute;gua. Isso seria suficiente para abastecer a cidade de S&atilde;o Paulo por sete anos e meio. O c&aacute;lculo foi feito pelo G1 levando em conta apenas a &aacute;gua utilizada para consumo humando, considerando que, em 2013, a m&eacute;dia de consumo no estado era de 188 litros di&aacute;rios por habitante, segundo o SNIS. J&aacute; o Instituto Trata Brasil estima em 39,1% do total produzido a perda de &aacute;gua tratada.<\/span><\/p>\n<p><span>A quantidade de &aacute;gua desperdi&ccedil;ada inclui perdas com vazamentos em adutoras, redes, ramais, conex&otilde;es, reservat&oacute;rios e outras unidades operacionais do sistema. Esses vazamentos s&atilde;o verificados principalmente em tubula&ccedil;&otilde;es da rede de distribui&ccedil;&atilde;o, provocados especialmente pelo excesso de press&atilde;o em regi&otilde;es com grande varia&ccedil;&atilde;o de relevo.<\/span><\/p>\n<p><span>Tamb&eacute;m est&atilde;o inclusas nos 37% as perdas chamadas pelo SNIS de &ldquo;n&atilde;o f&iacute;sicas&rdquo;, que &eacute; a &aacute;gua que foi efetivamente utilizada por&eacute;m n&atilde;o foi medida e deixou de gerar faturamento &agrave;s empresas prestadoras do servi&ccedil;o. Isso compreende situa&ccedil;&otilde;es como erros de medi&ccedil;&atilde;o (hidr&ocirc;metros inoperantes, com submedi&ccedil;&atilde;o, erros de leitura, fraudes), liga&ccedil;&otilde;es clandestinas, &ldquo;gatos&rdquo; e falhas no cadastro comercial.<\/span><\/p>\n<p><span>Os estados do Sudeste e do Centro-Oeste est&atilde;o abaixo da m&eacute;dia nacional de perda de &aacute;gua tratada, com &iacute;ndice de 33,4%. A regi&atilde;o que tem esse tipo de desperd&iacute;cio mais acentuado &eacute; a Norte (50,8%), seguida por Nordeste (45%) e Sul (35,1%). Entre as capitais, a varia&ccedil;&atilde;o no &iacute;ndice de perdas &eacute; ampla, com a menor em Goi&acirc;nia, com 21,3%, e a maior em Macap&aacute;, 73,6%.<\/span><\/p>\n<p><strong>Os &lsquo;ralos&rsquo; das perdas no Brasil<\/strong><br \/><span>Segundo Rog&eacute;rio Aparecido Machado, professor de Qu&iacute;mica e Gest&atilde;o Ambiental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os vazamentos e as liga&ccedil;&otilde;es clandestinas de &aacute;gua realmente s&atilde;o respons&aacute;veis por uma grande parte da perda de &aacute;gua tratada. Por&eacute;m o especialista tamb&eacute;m atenta para a &aacute;gua tratada que &eacute; lan&ccedil;ada em rios polu&iacute;dos.<\/span><\/p>\n<p><span>A gente perde muita &aacute;gua n&atilde;o s&oacute; por vazamento, como tamb&eacute;m nessas liga&ccedil;&otilde;es clandestinas as quais n&atilde;o t&ecirc;m controle algum. &ldquo;Mas h&aacute; outra coisa: n&oacute;s perdemos muita &aacute;gua porque tratamos nas esta&ccedil;&otilde;es de tratamento de esgoto e a maioria delas n&atilde;o retornam a &aacute;gua para os mananciais&rdquo;, aponta Machado.<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;A &aacute;gua vai acabar parando em rios polu&iacute;dos. Se desperdi&ccedil;a esse tratamento pois se devolve para o rio sujo na maioria das vezes.&rdquo; Em S&atilde;o Paulo, o professor cita como exemplo a &aacute;gua tratada que &eacute; lan&ccedil;ada no Ribeir&atilde;o dos Meninos, em S&atilde;o Caetano do Sul. &ldquo;Vai para o Tamanduate&iacute; e Tiet&ecirc;&rdquo;, descreve.<\/span><\/p>\n<p><span>Machado reconhece que lan&ccedil;ar &aacute;gua tratada em locais polu&iacute;dos como o Tiet&ecirc; e o Pinheiros, em S&atilde;o Paulo, ajudam a n&atilde;o agravar a situa&ccedil;&atilde;o desses rios. Por&eacute;m, ele afirma que a a&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de desperdi&ccedil;ar a &aacute;gua tratada, n&atilde;o &eacute; suficiente para a limpeza dessas &aacute;guas contaminadas. &ldquo;Voc&ecirc; diminui a quantidade de polui&ccedil;&atilde;o desses rios, n&atilde;o tenha d&uacute;vida. S&oacute; que seria muito mais inteligente retornar essa &aacute;gua a um rio que v&aacute; cair para uma represa.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p><span>Para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das &Aacute;guas da Funda&ccedil;&atilde;o SOS Mata Atl&acirc;ntica, lan&ccedil;ar esgoto em &aacute;reas de mananciais &eacute; uma medida &ldquo;perversa&rdquo;. &ldquo;&Eacute; o caso da Billings, em S&atilde;o Paulo, por exemplo. Isso &eacute; um desperd&iacute;cio muito maior do que o que se perde nos canos, ou o que a gente perde em casa lavando ch&atilde;o. Lan&ccedil;ar esgoto sem tratamento em qualquer corpo d&rsquo;&aacute;gua &eacute; crime. Mas, no Brasil, tem lei que pega e lei que n&atilde;o pega&rdquo;, afirma ela.<\/span><\/p>\n<p><span>Malu tamb&eacute;m atenta para casos de ocupa&ccedil;&otilde;es habitacionais irregulares pr&oacute;ximas a &aacute;reas de represa, que acabam poluindo a &aacute;gua que poderia ser utilizada para consumo humano. &ldquo;Estima-se que a gente tenha 2,5 milh&otilde;es de pessoas morando nessas situa&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas de manancial na regi&atilde;o metropolitana [de S&atilde;o Paulo]. Essas pessoas est&atilde;o expostas a risco de sa&uacute;de p&uacute;blica, desprovidas do acesso a &aacute;gua tratada, alguns t&ecirc;m &lsquo;gato&rsquo; de &aacute;gua&rdquo;, aponta. &ldquo;Esse perfil de ocupa&ccedil;&atilde;o do solo sem planejamento dificulta a quest&atilde;o do saneamento.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;A gente tem que fazer moradia popular, mas em local adequado&rdquo;, defende Malu. &ldquo;Colocar essas pessoas em &aacute;rea de manancial &eacute; fazer o que foi feito de 1960 at&eacute; o final dos anos 80. &Eacute; um crime.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;A gente perde muita &aacute;gua por vazamento e liga&ccedil;&otilde;es clandestinas. Mas h&aacute; esta&ccedil;&otilde;es de tratamento de esgoto que n&atilde;o retornam a &aacute;gua para mananciais, e a &aacute;gua acaba em rios polu&iacute;dos.&#8221; Rog&eacute;rio Machado, professor de Qu&iacute;mica e Gest&atilde;o Ambiental<\/span><br \/><span>Malu afirma que redes de saneamento muito antigas em capitais como Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo tamb&eacute;m contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o de um alto &iacute;ndice de perda de &aacute;gua tratada. &ldquo;Essas capitais t&ecirc;m redes muito velhas&rdquo;, diz.<\/span><\/p>\n<p><strong>&Aacute;gua n&atilde;o aproveitada<\/strong><br \/><span>Machado e Malu atentam para o mau aproveitamento da &aacute;gua da chuva no Brasil. &ldquo;Tem tudo feito, mas na hora de aproveitar a &aacute;gua, n&atilde;o consegue. Existe tubula&ccedil;&atilde;o na rua que &eacute; s&oacute; para pegar &aacute;gua da chuva. Essa &aacute;gua deveria estar pensada para n&atilde;o se sujar, para que no final da tubula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estivesse misturada com esgoto e fosse para mananciais. Mas o problema &eacute; que na tubula&ccedil;&atilde;o por onde passa a &aacute;gua de chuva tem um monte de liga&ccedil;&atilde;o de esgoto clandestino&rdquo;, diz Machado.<\/span><\/p>\n<p><span>Malu ressalta que a &aacute;gua da chuva em grandes centros urbanos j&aacute; chega polu&iacute;da por causa da pr&oacute;pria sujeira nas cidades. No entanto, ela n&atilde;o descarta o reuso dessa &aacute;gua.<\/span><\/p>\n<p><span>&ldquo;&Aacute;gua de chuvas pode ser aproveitada mediante tratamentos, porque ela &eacute; muito polu&iacute;da. No Piscin&atilde;o do Pacaembu, em que a SOS Mata Atl&acirc;ntica faz an&aacute;lise de agua, ela &eacute; muito polu&iacute;da. Vem como todo tipo de contaminante. Mas pode ser essa &lsquo;&aacute;gua cinza&rsquo; para lavar rua depois de feira livre, irrigar jardins, enfim, para usos menos nobres. S&oacute; que n&atilde;o existe norma hoje. N&oacute;s precisamos criar uma orienta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p><span>Para Malu, o mau uso da &aacute;gua no Brasil reflete um fator cultural. &ldquo;A gente vive no Brasil com uma falsa ideia de abund&acirc;ncia de &aacute;gua&rdquo;, opina.<\/span><\/p>\n<p><strong>O que dizem as empresas<\/strong><br \/><span>O G1 procurou o posicionamento de empresas respons&aacute;veis pelo abastecimento de &aacute;gua das regi&otilde;es metropolitanas de S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p><span>A gente vive no Brasil com uma falsa ideia de abund&acirc;ncia de &aacute;gua&#8221; Malu Ribeiro, da SOS Mata Atl&acirc;ntica.<\/span><\/p>\n<p><span>Em S&atilde;o Paulo, a Sabesp diz que em 2014 aumentou em 31% das vistorias de perdas de &aacute;gua com fraudes. No ano, o volume desviado por fraudes foi de 2,6 bilh&otilde;es de litros de &aacute;gua pot&aacute;vel, suficientes para abastecer 260 mil pessoas por um m&ecirc;s inteiro. O aumento no n&uacute;mero de fraudes detectadas foi de 13% em rela&ccedil;&atilde;o a 2013, e o valor cobrado dos fraudadores foi de R$ 17,4 milh&otilde;es. &ldquo;O volume recuperado foi de 2,6 bilh&otilde;es de litros, o que corresponde a dois dias de produ&ccedil;&atilde;o do Sistema Cantareira atualmente&rdquo;, diz a Sabesp.<\/span><\/p>\n<p><span>No Rio de Janeiro, a Cedae informou que o &iacute;ndice de perdas com vazamentos e liga&ccedil;&otilde;es clandestinas &eacute; de 30% de toda a &aacute;gua tratada. A empresa afirma que esse n&uacute;mero vem reduzindo ano a ano, por&eacute;m n&atilde;o possui dados fechados dos &uacute;ltimos meses.<\/span><\/p>\n<p><span>Em Minas, a Copasa divulgou em seu site que adotou um programa para reduzir o &iacute;ndice de perdas na Regi&atilde;o Metropolitana de Belo Horizonte, que atualmente chega a 40%. &ldquo;Uma das principais a&ccedil;&otilde;es foi o lan&ccedil;amento do programa Ca&ccedil;aGotas, que conta com 40 equipes de campo, cada uma com dois integrantes, especializadas no combate ao vazamento&rdquo;, diz a empresa. &ldquo;As principais causas das perdas s&atilde;o os vazamentos no percurso entre a distribui&ccedil;&atilde;o e o consumidor e as liga&ccedil;&otilde;es clandestinas, conhecidas como &lsquo;gatos&rsquo;. A meta da Copasa &eacute; reduzir o tempo de chegada das equipes aos locais de nove para quatro horas e, dessa forma, minimizar a gravidade das ocorr&ecirc;ncias.&rdquo; (G1)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa&iacute;s perde 37% da &aacute;gua que trata, segundo SNIS.Vazamentos e liga&ccedil;&otilde;es clandestinas est&atilde;o entre as causadoras das perdas Quando o assunto &eacute; perda de &aacute;gua tratada, o Brasil ocupa a 20&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em um ranking com 43 pa&iacute;ses. 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