{"id":17712,"date":"2015-06-09T15:25:00","date_gmt":"2015-06-09T19:25:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-3412","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=17712","title":{"rendered":"Em: 09\/06\/2015 &agrave;s 15:25h por"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>A chave do sucesso econ&ocirc;mico do Brasil n&atilde;o est&aacute; fora, no mercado global, nem no mercado americano, mas sim na arruma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria casa, sustenta Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Econ&ocirc;micos da Casa Branca e homem-chave do presidente Barack Obama.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A tr&ecirc;s semanas da visita oficial da presidente Dilma a Washington, no dia 30, o economista nova-iorquino de 44 anos, com doutorado em Harvard, diz que os EUA est&atilde;o dispostos a abrir mais o seu mercado para as exporta&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Mas avisa: &ldquo;O crescimento no Brasil vai depender principalmente das escolhas que o Brasil fizer&rdquo;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Folha &ndash; Dilma vai a Washington com o objetivo melhorar as rela&ccedil;&otilde;es tensas com a administra&ccedil;&atilde;o Obama ap&oacute;s o esc&acirc;ndalo de espionagem dos EUA. O que ela pode esperar na frente econ&ocirc;mica?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Jason Furman &#8211; Os EUA est&atilde;o esperando muito a visita de Dilma. Vemos a parceria entre os EUA e o Brasil como muito importante para nossos pa&iacute;ses. O Brasil &eacute; um pa&iacute;s muito importante na Am&eacute;rica Latina, uma das principais economias do mundo, assim, no plano econ&ocirc;mico, as discuss&otilde;es ser&atilde;o importantes.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong><br \/><\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Segundo o &ldquo;Wall Street Journal&rdquo;, um acordo para evitar a dupla tributa&ccedil;&atilde;o dos investimentos estrangeiros e um pacto para reduzir a burocracia no com&eacute;rcio bilateral est&atilde;o sendo discutidos. O que mais?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>N&atilde;o quero antecipar, mas nosso objetivo &eacute; discutir formas de expandir o com&eacute;rcio e investimento entre os pa&iacute;ses, tomando medidas tang&iacute;veis.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Expandir o com&eacute;rcio como? Voc&ecirc;s t&ecirc;m exportado mais para o Brasil do que o inverso.<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Em geral, com&eacute;rcio &eacute; mutuamente ben&eacute;fico. Com&eacute;rcio beneficia pessoas que trabalham em ind&uacute;strias exportadoras a conseguir melhores empregos e beneficia tamb&eacute;m o consumidor, que tem acesso a uma variedade de produtos a pre&ccedil;os mais baixos. Portanto, ambos os pa&iacute;ses se beneficiam de exporta&ccedil;&otilde;es, assim como das importa&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Ent&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o para o Brasil exportar mais para os EUA?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Definitivamente, sim.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>O sr. declarou que o crescimento dos Estados Unidos hoje n&atilde;o vai ser suficiente para &ldquo;tirar o resto do mundo da sua frenesi&rdquo;. Se n&atilde;o os EUA, e certamente n&atilde;o o Brasil, quem pode fazer? &Iacute;ndia, China?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Pa&iacute;ses no mundo precisam, como primeira condi&ccedil;&atilde;o para crescer, tomar passos nos seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses. O crescimento no Brasil vai depender principalmente das escolhas que o Brasil fizer.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Gostar&iacute;amos de ajudar sendo um mercado para as suas exporta&ccedil;&otilde;es. Se a China acelerar, vai ser um mercado para as suas exporta&ccedil;&otilde;es, mas ningu&eacute;m deve contar com demanda externa. As reformas estruturais internas &eacute; que s&atilde;o a chave para todas as economias.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>O que significa que o Brasil n&atilde;o deve contar muito com as exporta&ccedil;&otilde;es para os EUA&hellip;<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Adorar&iacute;amos que isso fosse o lado positivo para o Brasil economicamente. Mas com&eacute;rcio ainda representa uma minoria na economia brasileira. E &eacute; por isso que, embora o com&eacute;rcio possa ajudar, a chave do sucesso econ&ocirc;mico s&atilde;o realmente os passos internos.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Com a economia brasileira crescendo apenas 0,2% (2014), h&aacute; muito o que fazer internamente? Estamos no caminho errado na pol&iacute;tica econ&ocirc;mica?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Eu certamente n&atilde;o estou numa posi&ccedil;&atilde;o para prescrever qual o melhor rem&eacute;dio, a n&atilde;o ser dizer que gostar&iacute;amos de ajudar o Brasil sendo um mercado para as suas exporta&ccedil;&otilde;es mas somente at&eacute; onde isso pode ir.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Obama est&aacute; colocando todas as suas apostas na &Aacute;sia e na Europa, ao negociar dois mega-acordos comerciais com europeus e asi&aacute;ticos. Mas voc&ecirc;s est&atilde;o deixando fora desses acordos os pa&iacute;ses emergentes dos Brics: Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul. N&atilde;o v&atilde;o isolar parte do pa&iacute;ses do Sul? N&atilde;o h&aacute; o risco de desviar o com&eacute;rcio (mundial)?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Estamos tentado criar modelos para podermos expandir e gerar mais com&eacute;rcio. O TPP (sigla em ingl&ecirc;s para Parceria Trans-Pac&iacute;fico, o mais ambicioso acordo comercial sendo negociado hoje e uma prioridade do presidente Obama) tem parceiros nos dois lados do Pac&iacute;fico. Pa&iacute;ses latino-americanos s&atilde;o parte desse acordo. Outros pa&iacute;ses expressaram a vontade de participar. Estaremos abertos a isso somente depois que concluirmos o acordo com o atual grupo.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>N&oacute;s n&atilde;o vemos esse acordo como excludente, mas sim como um processo para expandir o com&eacute;rcio. E n&atilde;o estamos apenas fazendo acordos regionais. Estamos negociando acordos multilaterais por meio da OMC (Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio) em &aacute;reas como servi&ccedil;os e produtos ambientais.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Isso significa que voc&ecirc;s poderiam eventualmente incluir a China no TTP ou mesmo o Brasil?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Estamos focados no grupo de pa&iacute;ses que atualmente fazem parte do TTP. Mas a ideia &eacute; que [o acordo] tenha uma arquitetura aberta. Vamos estabelecer uma s&eacute;rie de padr&otilde;es. Os pa&iacute;ses que aceitarem esses padr&otilde;es podem se candidatar a entrar para o acordo.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>O Brasil defende a Rodada Doha (negocia&ccedil;&otilde;es multilaterais para abertura do com&eacute;rcio mundial, lan&ccedil;adas em 2001, mas que est&atilde;o paralisadas). Por que os Estados Unidos est&atilde;o abandonando o caminho multilateral das negocia&ccedil;&otilde;es na OMC?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Como disse, estamos negociando vigorosamente no plano multilateral, mas apostando em certas &aacute;reas em que temos a possibilidade de mais progresso. Produtos ambientais s&atilde;o um exemplo. As tecnologias [ambientais] de cada pa&iacute;s podem ser comercializadas, vendidas mais facilmente se concluirmos este acordo (de liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio para produtos ambientais).<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>H&aacute; uma inquieta&ccedil;&atilde;o no Brasil com a possibilidade de aumento na taxa de juros nos EUA, como j&aacute; indicou o Fed (banco central americano), de que isso vai desviar para os EUA os investimentos que estavam indo para pa&iacute;ses emergentes. Brasileiros t&ecirc;m uma boa raz&atilde;o para se preocupar?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Primeiro, o Fed vai tomar suas decis&otilde;es de forma independente. Na posi&ccedil;&atilde;o em que estou, n&atilde;o comento pol&iacute;tica monet&aacute;ria. Mas o que observo &eacute; que, dois anos atr&aacute;s, quando houve rea&ccedil;&atilde;o de mercado ao aumento dos juros americanos, o efeito inicial nas economias emergentes foi geral, mas depois [investidores] come&ccedil;aram a diferenciar [pa&iacute;ses emergentes].<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Alguns pa&iacute;ses continuaram recebendo fluxo de capital, e outros viram o capital sair. Acho que muito do impacto dessas mudan&ccedil;as depende menos das condi&ccedil;&otilde;es globais e mais do regime das pol&iacute;ticas dos pa&iacute;ses. Se voc&ecirc; tem um regime de pol&iacute;ticas que cria certezas para investidores, boas oportunidades de investimentos e faz as pessoas ficarem otimistas quanto ao futuro da economia, voc&ecirc; pode esperar a receber capital.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>O FMI baixou as previs&otilde;es de crescimento da Europa, o Brasil n&atilde;o est&aacute; crescendo, a China n&atilde;o avan&ccedil;a como antes. Isso pode impactar os EUA?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Isso certamente est&aacute; tendo um efeito nos EUA. As exporta&ccedil;&otilde;es foram o maior diminuidor de crescimento dos EUA no primeiro trimestre do ano. Parte foram eventos idiossincr&aacute;ticos, como fechamento de portos em raz&atilde;o de conflitos trabalhistas, por exemplo, mas certamente a desacelera&ccedil;&atilde;o da demanda global fez diminuir nossas exporta&ccedil;&otilde;es e teve um impacto na economia americana.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Devemos esperar um crescimento mais lento americano?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Certamente vamos ver uma recupera&ccedil;&atilde;o [da economia americana] a partir do primeiro trimestre. Mas muito vai depender dos consumidores. Os consumidores no americanos t&ecirc;m se beneficiado do pre&ccedil;o mais baixo da gasolina. Hoje isso tem se manifestado mais com mais poupan&ccedil;a do que mais gasto. Vamos ver com essa situa&ccedil;&atilde;o se desenvolver.<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Brasil e EUA t&ecirc;m agendas parecidas de combate &agrave; desigualdade, mas, enquanto voc&ecirc;s tentam recuperar a classe m&eacute;dia, o Brasil tenta criar uma maior, tirando pessoas da pobreza. O senhor tem algum conselho para dar para que o Brasil n&atilde;o repita o modelo desigual americano?<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Bom, o Brasil &eacute; mais desigual que os Estados Unidos, mas a desigualdade no Brasil est&aacute; caindo, enquanto a nossa desigualdade est&aacute; continuando a crescer.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Voc&ecirc;s s&atilde;o muito mais especialistas sobre o que se deve fazer. Mas o mesmo tipo de ideias de ter uma forte macroeconomia, ter mais concorr&ecirc;ncia, investir mais em crian&ccedil;as e fam&iacute;lias, esses s&atilde;o rem&eacute;dios que funcionam para todos os pa&iacute;ses.<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chave do sucesso econ&ocirc;mico do Brasil n&atilde;o est&aacute; fora, no mercado global, nem no mercado americano, mas sim na arruma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria casa, sustenta Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Econ&ocirc;micos da Casa Branca e homem-chave do presidente Barack Obama. 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