{"id":17306,"date":"2015-05-19T15:55:00","date_gmt":"2015-05-19T19:55:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-3287","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=17306","title":{"rendered":"Em: 19\/05\/2015 &agrave;s 15:55h por"},"content":{"rendered":"<p><span>Chega hoje ao Brasil o primeiro-ministro chin&ecirc;s, Li Keqiang. Traz consigo uma comitiva de 150 empres&aacute;rios, e diversas propostas de neg&oacute;cios &mdash; dentre as quais a de aplicar US$ 50 bilh&otilde;es na nossa infraestrutura. Al&eacute;m de um grande momento para as nossas rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas e econ&ocirc;micas, pode ser uma extraordin&aacute;ria oportunidade para ampliar a discuss&atilde;o sobre o tema do financiamento de infraestrutura e o papel do Estado. Uma discuss&atilde;o que &eacute; absolutamente crucial para o crescimento e o futuro do pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p><span>Na China, quem financia grande parte dos investimentos em infraestrutura &eacute; o banco de desenvolvimento chin&ecirc;s (CDB). Para tal, o CDB se tornou o segundo maior emissor de t&iacute;tulos de d&iacute;vida (deb&ecirc;ntures) no pa&iacute;s, somente atr&aacute;s do Minist&eacute;rio da Fazenda chin&ecirc;s. Os t&iacute;tulos s&atilde;o vendidos diretamente a cons&oacute;rcios de bancos locais &mdash; tamb&eacute;m p&uacute;blicos &mdash; com prazos longu&iacute;ssimos, algo raro mesmo nas economias mais desenvolvidas. Apesar dos prazos largos e dos riscos de obras de infraestrutura, os t&iacute;tulos emitidos pelo CDB s&atilde;o considerados ativos de risco nulo por diversas raz&otilde;es. Entre elas, tr&ecirc;s parecem significativas: o pr&oacute;prio governo d&aacute; garantias expl&iacute;citas ou impl&iacute;citas; as empresas construtoras s&atilde;o p&uacute;blicas, o que permite um melhor monitoramento e mitiga&ccedil;&atilde;o dos riscos, especialmente nas fases de desenvolvimento e constru&ccedil;&atilde;o; e, por fim, os t&iacute;tulos s&atilde;o emitidos em moeda local, o que evita descasamento cambial entre os fluxos de caixa das construtoras e os repagamentos das deb&ecirc;ntures.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>E, com um esquema t&atilde;o s&oacute;lido, e um interesse estrat&eacute;gico no desenvolvimento de infraestrutura de seus principais parceiros, n&atilde;o surpreende que na pr&oacute;xima semana, por exemplo, o CDB seja um dos principais bancos p&uacute;blicos por de tr&aacute;s da oferta de cerca de US$ 50 bilh&otilde;es para nossa infraestrutura. &Eacute; uma f&oacute;rmula que tem sido utilizada amplamente pela diplomacia econ&ocirc;mica chinesa: de acordo com um banco de dados desenvolvido por Kevin Gallagher e Margaret Myers da universidade de Boston (ver&nbsp;<\/span><a href=\"http:\/\/thedialogue.com\/map-list\" target=\"_blank\">thedialogue.com\/map-list<\/a><span>), entre 2005 e 2014, os bancos chineses emprestaram quase US$ 120 bilh&otilde;es para a Am&eacute;rica Latina e Caribe. Quase a metade (US$ 56 bilh&otilde;es) foi para Venezuela, seguido pelo Brasil (US$ 22 bilh&otilde;es), Argentina e Equador (US$ 10,8 bilh&otilde;es). Cerca de US$ 50 bilh&otilde;es foram para infraestrutura; US$ 32 bilh&otilde;es para energia; e US$ 5,8 bilh&otilde;es para minera&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um volume superior ao realizado pelo Banco Mundial e Banco Interamericano em conjunto.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>A visita do primeiro-ministro Li Keqiang tem uma import&acirc;ncia para a economia chinesa. Afinal, trata-se de ampliar a rela&ccedil;&atilde;o com um pa&iacute;s que ja &eacute; um grande parceiro comercial, e um grande destino de investimentos cruciais para uma na&ccedil;&atilde;o carente em recursos naturais e muito dependente de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola estrangeira. Tamb&eacute;m &eacute; uma forma de trazer neg&oacute;cios para suas construtoras, para seu setor de bens de capital e para seus agentes financeiros. Mas, para o Brasil, a visita pode ir al&eacute;m dos aspectos comerciais tradicionais &mdash; especialmente porque pode, direta ou indiretamente, ajudar-nos a encarar um importante gargalo econ&ocirc;mico: o da infraestrutura, um dos principais pilares para o aumento da produtividade e da competitividade das nossas empresas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Olhando para o que &eacute; feito na China, mas tamb&eacute;m em outras economias do grupo das vinte maiores economias (G20) temos no financiamento da infraestrutura (e da log&iacute;stica) um desafio herc&uacute;leo. Afinal, nossos bancos e investidores locais ainda est&atilde;o acostumados a operar com prazos relativamente curtos e com rendimentos elevados e, que eu saiba, t&ecirc;m limita&ccedil;&otilde;es at&eacute; de equipes de monitoramento de obras de infraestrutura. J&aacute; os bancos e fundos estrangeiros, que t&ecirc;m tais estruturas e est&atilde;o mais acostumados a financiar infraestrutura, antes de entrar fortemente no pa&iacute;s, querem garantias m&iacute;nimas para mitigar alguns riscos &mdash; a come&ccedil;ar pelo cambial.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>At&eacute; o momento, o papel do BNDES tem sido crucial, mas inferior &agrave;s nossas necessidades. Ele se tornou o maior financiador de projetos de infraestrutura. Ainda assim, nosso banco de desenvolvimento tem suas restri&ccedil;&otilde;es: por exemplo, como tem limita&ccedil;&otilde;es no monitoramento dos riscos de constru&ccedil;&atilde;o, seus t&eacute;cnicos exigem que as empresas tomadoras ofere&ccedil;am grande quantidade de garantia. Em um pa&iacute;s em que os investimentos em infraestutura s&atilde;o enormes, este esquema de financiamento acaba por limitar, na fonte, a capacidade financeira das empresas para alavancar recursos. Limitado pela sua capacidade de financiar diretamente, e sob press&atilde;o para reduzir seu tamanho, equipes do BNDES, e outras partes do governo, est&atilde;o procurando, a toque de caixa, desenvolver mecanismos alternativos para alavancar recursos privados (nacionais e estrangeiros). Isto &eacute; saud&aacute;vel, importante e deve ser feito &mdash; at&eacute; como instrumento de pol&iacute;tica de desenvolvimento de instrumentos privados de financiamento de longo prazo.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>O que preocupa um pouco neste saud&aacute;vel debate, entretanto, &eacute; que ele muitas vezes est&aacute; impregnado de discuss&otilde;es que transp&otilde;em o problema a ser enfrentado. Por exemplo, n&atilde;o consigo imaginar uma solu&ccedil;&atilde;o sem que o BNDES tenha um papel absolutamente central como ponto focal na defini&ccedil;&atilde;o de instrumentos. Afinal, nenhum outro agente p&uacute;blico tem a experi&ecirc;ncia e o conhecimento das equipes do BNDES em financiar e acompanhar projetos de investimento. Tamb&eacute;m me parece dif&iacute;cil ampliar os esquemas de garantia existentes sem empenhar recursos p&uacute;blicos que os lastreiem &mdash; pelo menos inicialmente. Claro que &eacute; poss&iacute;vel desenvolver instrumentos e mercados privados, mas temos um largo caminho a percorrer, e necessidades imediatas de expandir o financiamento de infraestrutura &mdash; sem os quais estaremos abrindo um foco de produtividade e competitividade em rela&ccedil;&atilde;o a nossos principais parceiros\/competidores.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Neste sentido, creio, a oportunidade da visita do primeiro ministro Li Keqiang e de sua comitiva vai al&eacute;m dos neg&oacute;cios e dos US$ 50 bilh&otilde;es que prometem trazer para nossa infraestrutura. Ela pode suscitar uma importante discuss&atilde;o sobre o financiamento de longo prazo e sobre o papel das institui&ccedil;&otilde;es e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para rompermos com o atual impasse que temos nesta &aacute;rea. Uma oportunidade talvez de olharmos para o que as economias industriais e emergentes est&atilde;o fazendo, com grau maior e menor de &ecirc;xito &mdash; e de tornar a discuss&atilde;o mais pragm&aacute;tica.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span>Em suma: que venham os chineses e sejam muito bem-vindos. Que nos tragam bons neg&oacute;cios, mas, principalmente boas ideias. Precisamos muito dos dois para superar nosso mal momento atual.<\/span><br \/><span>______________________________<\/span><span>________________<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega hoje ao Brasil o primeiro-ministro chin&ecirc;s, Li Keqiang. Traz consigo uma comitiva de 150 empres&aacute;rios, e diversas propostas de neg&oacute;cios &mdash; dentre as quais a de aplicar US$ 50 bilh&otilde;es na nossa infraestrutura. Al&eacute;m de um grande momento para as nossas rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas e econ&ocirc;micas, pode ser uma extraordin&aacute;ria oportunidade para ampliar a discuss&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17306"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}