Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
Na América Latina, Brasil, Chile e México têm vantagem estrutural de custos, enquanto solar e armazenamento ampliam competitividade, aponta a Wood Mackenzie
O armazenamento de energia em baterias (BESS) com duração de quatro horas já apresenta custo inferior ao das turbinas a gás de ciclo aberto nos 43 mercados em que as duas tecnologias foram modeladas pela Wood Mackenzie. Segundo a consultoria, a escassez de turbinas e a volatilidade dos combustíveis pressionam os custos da geração a gás, enquanto a expansão da fabricação de baterias reduz o custo do armazenamento.
Na América Latina, a solar fotovoltaica com rastreamento de eixo único é a tecnologia de geração de menor custo em 2026, com Brasil, Chile e México apresentando vantagem estrutural associada aos recursos solares e aos elevados fatores de capacidade. O custo nivelado médio da energia (LCOE, sigla para Levelized Cost of Energy) da solar na região deve cair 38% até 2060.
A eólica onshore também segue em trajetória de redução de custos na região, com o LCOE médio regional projetado para cair de US$ 73/MWh para US$ 58/MWh até 2030, uma redução de quase 21% favorecida pela maior concorrência de fabricantes chineses e pelo uso de turbinas maiores.
Na mesma direção, o armazenamento em escala de rede avança na América Latina, impulsionado por projetos renováveis com exigência de baterias e por contratações destinadas à estabilidade das redes. A previsão da Wood Mackenzie é de queda de 42% no LCOE do armazenamento até 2060, à medida que a implantação aumenta e os marcos regulatórios amadurecem.
Embora ainda tenha horizonte mais longo na América Latina, a eólica offshore deve se aproximar da paridade de custos com usinas a gás de ciclo combinado no início da década de 2040. O desenvolvimento de projetos no Brasil e na Colômbia já começa a estimular cadeias locais de fornecimento.
Globalmente, a solar com rastreador de eixo único é a tecnologia de menor custo em 43 dos 48 mercados analisados, enquanto a eólica onshore lidera nos cinco restantes. Na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, o LCOE da solar deve ficar abaixo de US$ 20/MWh até 2033.
No Oriente Médio e na África, a solar já apresenta custo de US$ 37/MWh, com previsão de queda para US$ 24/MWh até 2035. No armazenamento, as baterias de quatro horas, estimadas em US$ 120/MWh em 2026, devem chegar a US$ 80/MWh em 2035, ficando abaixo do custo das turbinas a gás de ciclo aberto em todos os mercados de gás da região.
A China mantém a referência global em armazenamento, com LCOE mais de 55% inferior à média de US$ 134/MWh do restante da Ásia-Pacífico, resultado atribuído à integração da cadeia doméstica e à produção em larga escala. Para os demais mercados da região, a média deve cair para US$ 92/MWh até 2036.
Na Europa, a solar permanece como a geração de menor custo, enquanto os combustíveis fósseis apresentam os maiores custos entre as regiões analisadas. Já na América do Norte, tarifas e restrições de importação pressionam os custos da solar no curto prazo, enquanto créditos fiscais sustentam a competitividade do armazenamento.
Para a Wood Mackenzie, a combinação entre solar e baterias está alterando a economia dos sistemas elétricos, à medida que a queda dos custos do armazenamento, associada à expansão das renováveis, reduz a competitividade econômica de novas usinas a gás voltadas à geração de pico.
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