Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
A expansão dos data centers já entrou de forma mais relevante no planejamento energético. Segundo o diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética, Thiago Ivanoski, a empresa considera sinais desse movimento desde 2023.
Na revisão quadrimestral da carga, feita em conjunto com ONS e CCEE, a EPE estima a entrada de cerca de 5 GW de carga de datacenters até 2030. O número cresceu cerca de 2 GW em relação à primeira revisão. Para Ivanoski, o avanço mostra a necessidade de atualizar as projeções de forma contínua.
No horizonte mais longo, o PDE 2035 já considerava uma expansão de data centers na casa de 20 GW. A estimativa, no entanto, foi feita antes da política para conexão de grandes cargas na transmissão, o PNAST.
Apesar do avanço da demanda, a transmissão não deve ser vista, isoladamente, como o principal limitador para a expansão dos data centers no país.
De acordo com Ivanoski, os projetos estão distribuídos pelo território nacional. Assim, há pedidos no Sul, Sudeste e Nordeste. Portanto, não há, na visão da EPE, uma região que concentre necessariamente o maior risco de gargalo.
Além da transmissão, outros fatores entram na decisão. Entre eles estão terrenos, infraestrutura, mão de obra, disponibilidade de água e incentivos locais.
“É um conjunto de informações que leva a esses pontos”, afirmou o diretor após participar do evento Energia em Transformação, promovido pelo BMAAdvogados, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, 13 de agosto.
Nesse sentido, a avaliação também depende do horizonte analisado. Além disso, o ONS trabalha com um período mais curto. Já a EPE considera um horizonte mais amplo no planejamento da expansão.
A expansão dos datacenters também será analisada em conjunto com o crescimento das fontes renováveis.
Para Ivanoski, o planejamento precisa acompanhar a evolução da carga e da oferta de forma simultânea. Por isso, os modelos da EPE já consideram tecnologias como armazenamento e recursos de flexibilidade. Além disso, hidrelétricas e termelétricas entram nas simulações como instrumentos de segurança energética.
“A gente tem um sistema que é muito robusto”, afirmou.
A estratégia, portanto, é atualizar as projeções conforme os projetos avancem. Com isso, a expansão da geração e da transmissão poderá ser ajustada à nova dinâmica de consumo.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental