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de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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ONS já processou 10 GW em pedidos de conexão de data centers

Em: 14/08/2026 às 09:25h por Canal Energia

Cerca de 3 GW já têm contratos de uso da transmissão assinados, enquanto 2 GW aguardam a formalização e outros 5 GW restantes ainda estão em análise


O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já processou cerca de 10 GW em pedidos de conexão de data centers com previsão para 2029. Desse total, aproximadamente 3 GW já têm contratos de uso do sistema de transmissão (Cust) assinados, enquanto outros 2 GW estão com pareceres de acesso emitidos e aguardam a assinatura dos contratos. Os 5 GW restantes ainda estão em análise. A informação é do diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato. Segundo ele, a expansão dos data centers já é considerada nos estudos de médio prazo do operador, mas com diferentes cenários de entrada das cargas.

Nos estudos do Plano da Operação Energética (PEN) e do Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL), o ONS mantém o cenário oficial de carga e também uma sensibilidade específica para os novos grandes consumidores. Nessa análise, são considerados 100% dos projetos com Cust assinado e 50% daqueles que já têm parecer de acesso emitido, mas ainda não formalizaram o contrato.

“É uma sensibilidade para avaliar como se comporta o sistema no médio prazo”, afirmou Zucarato durante o evento Energia em Transformação, promovido pelo BMAAdvogados, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 13 de agosto.


Localização será determinante


A necessidade de novos investimentos para atender os data centers dependerá, principalmente, da localização dos empreendimentos. Segundo Zucarato, existem regiões do sistema com capacidade disponível para receber novas cargas e outras que exigem reforços.

“Se estiver sobrando recurso de geração, essa carga entra sem necessidade de novos investimentos. Se estiver sobrando espaço para transmissão, essa carga entra sem necessidade de novos investimentos”, disse.

Por outro lado, a entrada de uma carga que não estava prevista originalmente pode criar a necessidade de novos recursos. Isso pode envolver reforços na transmissão, geração ou contratação de potência.

“Cada demanda dessa que aparece que não estava na previsão original vira uma violação do critério que vai demandar a contratação de novo recurso”, afirmou o diretor.

A alternativa também pode envolver a adequação do perfil de consumo. “Ou essa carga sai do horário da ponta ou a gente precisa contratar alguma outra coisa dentro de algum outro LRCAP para suprir essa necessidade de potência”, apontou Zucarato.


Além da energia e da transmissão, os projetos precisam considerar outros requisitos de infraestrutura, como fibra óptica e disponibilidade de água. Assim, a localização pode ser decisiva para determinar a viabilidade e o custo de conexão.

 

PNAST muda tratamento da fila


Com o Programa Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), os novos pedidos de conexão passam a seguir uma lógica diferente. Segundo Zucarato, a antiga fila de acesso foi encerrada e os novos pedidos serão processados exclusivamente pelas temporadas de acesso previstas no programa.

“O PNAST organiza o racional econômico. Ao invés de processar pela fila, você cria uma temporada de acesso e disponibiliza imediatamente a margem onde está sobrando no sistema”, explicou.

Haverá um processo competitivo onde houver mais demanda do que capacidade disponível. Os vencedores poderão assinar o CUST.

Uma das principais mudanças, segundo o diretor, é a possibilidade de criar temporadas de acesso para uma rede futura, ainda não planejada. A medida permite antecipar a contratação da capacidade de transmissão e dar maior segurança ao planejamento da expansão.

“Você captura essa demanda, assina um contrato que ancora essa necessidade e a EPE pode trabalhar no desenho de uma solução de transmissão para essa carga que já pré-contratou o uso dessa transmissão”, disse.

Para Zucarato, isso reduz a incerteza dos investimentos em transmissão destinados aos grandes consumidores.


Garantias reduziram a fila


A exigência de garantias financeiras para os contratos também provocou uma redução significativa dos projetos que buscavam conexão. Segundo o diretor, antes das novas regras havia uma fila de pedidos que chegava a cerca de 38 GW.

No caso dos projetos que já têm Cust assinado, a garantia financeira exigida corresponde a 40 meses de encargos de transmissão. Por isso, Zucarato avalia que os 3 GW já contratados representam projetos com maior grau de compromisso. Nesse sentido, os 2 GW com parecer de acesso emitido ainda precisam assinar o Cust dentro do prazo previsto. Segundo o diretor, esses projetos podem ser acomodados pela rede, embora alguns estejam condicionados à realização de obras, incluindo a instalação de compensadores síncronos.

Ainda é possível considerar os 5 GW em análise inviáveis ou conceder parecer favorável a eles, eventualmente com condicionantes. A partir de agora, portanto, o ONS não deverá mais ampliar a antiga fila de pedidos. “A fila fechou e a gente só processa acesso via PNAST agora, na transmissão”, afirmou Zucarato.

O volume efetivo de novos projetos dependerá das próximas temporadas de acesso. “Quando a gente abrir a temporada da PNAST, a gente vai ver quantos consumidores aparecerão para pedir o acesso”, disse.


Planejamento coordenado


A expansão da transmissão para atender novas cargas também envolve a atuação conjunta do ONS e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo Zucarato, os estudos indicados pelas duas instituições são consolidados antes de serem encaminhadas ao Ministério de Minas e Energia (MME).

“Existem vários mecanismos de coordenação entre o ONS e a EPE e o poder concedente para seguir o planejamento setorial”, afirmou.

Nesse contexto, o PNAST também busca aproximar a expansão da rede da demanda efetivamente contratada. A estratégia é especialmente relevante para data centers, que exigem grandes blocos de potência e elevados requisitos de disponibilidade e qualidade de energia.

Para o ONS, portanto, o desafio não é apenas acomodar o crescimento dessas cargas. É identificar onde elas poderão se instalar e antecipar, com maior segurança, os investimentos necessários em geração e transmissão