Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrou um corte máximo de 16.001 MW de geração renovável no Nordeste na 2ª feira (29.jun.2026), dia do jogo entre a seleção brasileira de futebol e a do Japão pela Copa do Mundo. O montante é maior que a potência instalada de Itaipu (14.000 MW) e de Belo Monte (11.233 MW), as duas maiores hidrelétricas do país. Eis a íntegra do relatório (PDF – 1 MB).
Com menos carga no sistema durante o período da partida e alta da produção, principalmente de fontes eólicas e solares, aumenta o excedente de energia que não pode ser absorvido ou escoado pela rede.
Conhecida no setor como curtailment, a prática consiste na redução ou limitação da geração de energia por determinação do operador do sistema, geralmente para evitar que um excesso de oferta em determinados horários provoque panes no SIN (Sistema Interligado Nacional).
No Brasil, os cortes atingem principalmente fontes renováveis, como usinas eólicas e solares. O impacto é mais forte no Nordeste, onde esses empreendimentos têm peso relevante na matriz elétrica regional. O ONS informou que a restrição de 2ª feira (29.jun) ocorreu durante todo o dia na região, das 0h às 23h59. A justificativa adotada foi o habitual “controle de inequações regionais”, fluxos sistêmicos, intervenções em andamento e controle de frequência.
O relatório também registrou restrição de geração renovável no Sudeste/Centro-Oeste, com valor máximo de 5.609 MW, das 9h01 às 16h48, e no Norte, com 238 MW, das 9h01 às 16h22. No Sul, houve limitação das 9h28 às 16h21, mas sem valor máximo informado.
O corte de 16.001 MW no Nordeste ocorreu 1 dia depois de a região já ter registrado curtailment equivalente a mais de uma Itaipu. No domingo (28.jun), os cortes de geração renovável chegaram a 14.278 MW.
A regulação do curtailment ainda está em discussão na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Em 22 de junho, a agência adiou a votação da norma que trata dos cortes de geração no SIN (Sistema Interligado Nacional) depois de pedido de vista do diretor Fernando Mosna. O processo tramita na Consulta Pública nº 45, aberta em 2019, e busca definir critérios operacionais e comerciais para a redução de usinas pelo ONS.
Já é consenso nos órgãos reguladores que o curtailment é, por ora, necessário para a estabilidade operacional do sistema elétrico brasileiro. A Aneel definirá, contudo, como os cortes devem ocorrer e se haverá algum tipo de ressarcimento pela perda de receita provocada aos geradores, principalmente os renováveis, que são os mais afetados.
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