Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
Durante painel na GreenFarm, Carlos Garcia defendeu a criação de um programa estadual de desenvolvimento energético e alertou que a infraestrutura atual não acompanhará a demanda do agronegócio e da indústria.
O presidente do Sindenergia Mato Grosso, Carlos Garcia, defendeu a criação de um programa estadual de desenvolvimento energético para garantir que o crescimento econômico de Mato Grosso não seja freado pela falta de infraestrutura elétrica. O posicionamento foi feito durante o Painel "Energia que Move o Agro: Liderança, Política e Futuro do Brasil", realizado na quinta-feira (28.05), dentro da programação da GreenFarm.
Segundo Garcia, a expansão da demanda por energia no estado já ocorre em ritmo superior à média nacional e tende a se acelerar nos próximos anos com o avanço do agronegócio, da industrialização, da geração distribuída, da eletromobilidade e de novas tecnologias no campo.
Para ele, Mato Grosso precisa deixar de atuar apenas para solucionar problemas pontuais e passar a planejar o futuro energético do estado de forma estratégica.
"O principal desafio de infraestrutura de Mato Grosso hoje é a energia elétrica. Se não houver um plano estruturado, o estado corre o risco de enfrentar gargalos que podem comprometer o desenvolvimento econômico", afirmou.
Durante o debate, Garcia destacou que Mato Grosso possui características únicas, tanto pela extensão territorial quanto pela velocidade de crescimento econômico. Como consequência, a demanda energética estadual cresce cerca de 50% acima da média nacional, impulsionada principalmente pelo agronegócio. Além disso, projeções apontam aumento de superior 50% na produção de grãos nos próximos dez anos, cenário que exigirá ainda mais investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia.
Na avaliação do presidente do Sindenergia, ampliar apenas a infraestrutura convencional não será suficiente para atender a essa expansão. Por isso, ele defendeu que o Estado trabalhe simultaneamente em diferentes frentes, incluindo biogás, biometano, biodiesel, energia solar, armazenamento de energia e novas tecnologias voltadas à sustentabilidade.
"Precisamos desenvolver todas as alternativas energéticas disponíveis. Mato Grosso tem potencial para liderar esse processo, mas precisa ser mais ousado na construção de uma política energética de longo prazo", disse.
Outro ponto levantado pelo dirigente foi a necessidade de criar incentivos para sistemas de armazenamento de energia, tecnologia que, segundo ele, ganhará protagonismo nos próximos anos diante das limitações da rede elétrica e da expansão da geração solar. O armazenamento pode ajudar produtores rurais e indústrias a reduzir custos, melhorar a qualidade da energia e aumentar a autonomia energética em regiões onde a infraestrutura não acompanha o ritmo do desenvolvimento econômico.
"Mato Grosso é um dos líderes no País em produção de energia renovável, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em desenvolvimento local. Precisamos criar condições para que sustentabilidade também gere retorno econômico para quem investe", afirmou.
Ao encerrar sua participação, o presidente do Sindenergia voltou a defender a criação de um programa estadual de desenvolvimento energético, reunindo governo, setor produtivo e investidores para planejar a expansão da oferta de energia nas próximas décadas.
Segundo ele, o desafio vai além de garantir eletricidade para atender a demanda atual. A meta deve ser preparar Mato Grosso para sustentar o crescimento econômico projetado para os próximos anos sem que a energia se torne um obstáculo ao desenvolvimento do estado.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental