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Eletrificação impulsiona nova fase da transição energética, aponta Irena

Em: 21/05/2026 às 08:46h por Canal Energia

Roteiro atualizado de 1,5°C reflete realidades geopolíticas e de mercado; prevê declínio acelerado dos combustíveis fósseis e 35% de eletrificação global até 2035

 

Novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) mostra que as crescentes tensões geopolíticas, o aumento da demanda de energia e a volatilidade do mercado de combustíveis fósseis estão remodelando o cenário energético global. Com isso, abre-se uma nova fase da transição energética centrada na eletrificação, na energia renovável e na aceleração do abandono dos combustíveis fósseis.


O documento alerta que, além das preocupações atuais com a segurança energética, os sistemas de energia permanecem estruturalmente despreparados para cumprir a meta climática de 1,5°C. Embora as metas de triplicar a capacidade renovável e dobrar a eficiência energética até 2030 continuem essenciais, não são suficientes para realizar a transição global. À medida que a demanda aumenta rapidamente nos setores de transporte, indústria, edificações e digitalização, a transição deve se concentrar na eletrificação desses setores de uso final, ao mesmo tempo em que se afasta dos combustíveis fósseis.


Eletricidade será principal vetor energético até 2050

O cenário revisado de 1,5°C da Irena projeta que a eletricidade passará de cerca de 23% do consumo final global de energia atualmente para 35% em 2035. Em 2050, para mais de 50%, tornando-se o principal vetor energético global. Além disso, a maior parte do crescimento da demanda será atendida por fontes renováveis. Em paralelo, o cenário prevê que a participação dos combustíveis fósseis nos diferentes setores caia dos atuais 80% para cerca de 50% em 2035. Em 2050, cai para 20% ou menos.


O relatório destaca a eletrificação apoiada pela expansão das renováveis, fortalecimento das redes elétricas e por ganhos de eficiência energética como uma opção “sem arrependimentos”. A transição é capaz de simultaneamente reduzir emissões, fortalecer a segurança energética, ampliar a acessibilidade e apoiar a industrialização verde e a competitividade. Ao mesmo tempo, combustíveis sustentáveis como biocombustíveis, hidrogênio e seus derivados permanecem essenciais para setores de difícil descarbonização, como aviação, transporte marítimo e partes da indústria.


Infraestrutura de redes é gargalo crítico

De acordo com o relatório, a eletrificação está se tornando o principal impulsionador estrutural do declínio dos combustíveis fósseis nos principais setores de uso final. A transição significaria uma reestruturação completa da infraestrutura de energia e da alocação de investimentos. Os países devem investir simultaneamente em redes, armazenamento e flexibilidade do sistema. Isso irá garantir sistemas de eletricidade confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente demanda.


No entanto, a infraestrutura se tornou um gargalo crítico, com cerca de 2.500 GW de energia eólica e solar aguardando conexão com as redes. As atualizações até 2035 e 2050 não serão alcançadas sem um licenciamento acelerado e um investimento em escala. A Irena estima que os investimentos em redes precisariam mais que dobrar, saltando dos atuais US$ 500 bilhões para cerca de US$ 1,2 trilhão por ano.


Também serão necessários investimentos significativos nas cadeias de suprimento de hidrogênio e combustíveis alternativos. Além disso, na eletrificação de tecnologias de uso final e na infraestrutura facilitadora. Isso engloba desde o carregamento de veículos elétricos e reformas de edifícios até a construção de aquecimento e resfriamento elétricos e eletrificação industrial.


Meta global de eletrificação para 2035

Assim, o relatório também destaca a importância de monitorar o progresso da eletrificação, do aprimoramento da rede e do declínio dos combustíveis fósseis para apoiar a implementação e orientar a cooperação internacional. Na COP28, o Consenso dos Emirados Árabes Unidos e o Primeiro Balanço Global do Acordo de Paris pediram a triplicação das renováveis e a duplicação da eficiência energética até 2030. Nesse sentido, estabelece uma base importante para a transição para longe dos combustíveis fósseis.


O Mapa do caminho internacional da Presidência da COP30 sobre a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa, apoiado pela IRENA, oferecerá um horizonte importante para avançar paralelamente nos objetivos de clima, segurança energética e desenvolvimento.