Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição

de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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Mato Grosso enfrenta gargalos na rede elétrica em meio a crescimento acima da média nacional

Em: 13/05/2026 às 18:13h por 220 Relações Públicas

Especialistas debatem os desafios de transmissão e distribuição no estado

O crescimento acelerado de Mato Grosso está pressionando os limites da infraestrutura elétrica do estado. Com uma demanda que cresce acima da média nacional impulsionada pelo agronegócio, pela irrigação noturna e pela expansão da geração distribuída, o sistema de transmissão e distribuição dá sinais de esgotamento. O tema foi o centro do Painel 5 da UniSenai, aberto às 10h45 desta terça-feira (13.05), com especialistas da EPE, da Energisa e da Raxen Energia.


O estado tem potencial de geração represado, subestações no limite e uma janela de dois a seis anos até que os investimentos já mapeados entrem em operação. Enquanto isso, consumidores, produtores rurais e empresas convivem com restrições de conexão e cortes de geração.


O sócio-proprietário da Raxen Energia, Rubens Araújo, e moderador do painel, não poupou palavras ao avaliar a situação atual. Para ele, o sistema elétrico de Mato Grosso está fragilizado e sem margem de escoamento tanto para geração quanto para consumo.


"Nós somos um estado fora da curva. Sempre crescemos mais do que a média nacional e, infelizmente, o sistema elétrico não acompanhou isso", afirmou. Araújo também apontou o que considera uma das raízes do problema: um planejamento descoordenado que priorizou a geração solar em detrimento de fontes mais firmes, como a hidráulica, abundante no estado.


"Hoje estamos tentando buscar formas de mitigar um problema causado pela solar", disse. Para ele, a presença de representantes da EPE e da Energisa no evento é fundamental para que o debate aconteça dentro do estado, e não apenas em Brasília.


Lucas Simões, consultor técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), confirmou o diagnóstico e detalhou os estudos em curso. Segundo ele, Mato Grosso apresenta uma dinâmica atípica de crescimento de carga, com forte concentração de irrigação na madrugada e expansão acelerada da microgeração distribuída (MMGD), o que impõe desafios simultaneamente à distribuição e à transmissão. "A gente tem visto todo ano e se surpreende como tem crescido", disse.


Simões informou que a EPE conduz análises para o estado desde 2024 e que vários investimentos já estão mapeados e em construção. Entre eles, destaca-se um estudo estratégico para o nordeste do estado, prevendo uma interligação com Goiás aproveitando a rota da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, cuja licitação está prevista para o ano que vem. 


"É um pequeno descasamento temporal. Tem muito investimento já previsto para acontecer", garantiu. Para o especialista, o crescimento da carga em Mato Grosso é algo que o Brasil precisa, pois abre margem para novas conexões de geração em todo o país.


O gerente de planejamento e orçamento da Energisa, Ítalo Martins, detalhou os dois blocos de investimentos previstos para o estado. O primeiro, de mais curto prazo, já contempla reforços nas regiões de Sorriso, Sinop e no eixo central e sul do estado, com entrega prevista até o ano que vem.


 O segundo bloco, de médio prazo, prevê novas linhas de transmissão de 500 kV que devem desafogar tanto a carga quanto a geração. "São os investimentos que trazem maior expectativa", afirmou.


Do lado da distribuidora, Martins destacou que a Energisa já investiu mais de R$ 5 bilhões nos últimos três anos no estado e tem outros R$ 9 bilhões previstos para os próximos cinco, com foco em novas subestações, melhoria da qualidade e atendimento a novos clientes. Ele também ressaltou um dado que considera subestimado: Mato Grosso figura hoje no mesmo patamar de satisfação dos consumidores que estados do Sudeste. "Estamos à frente de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais na avaliação dos clientes feita pela agência reguladora", revelou.


Para Martins, o primeiro passo para destravar os gargalos passa pelos próprios consumidores e produtores: formalizar os pedidos junto à distribuidora.


 "A partir disso, a distribuidora tem mais dados, mais informação, e pode rebater isso para a EPE, fazer projeções mais assertivas e influenciar novas solicitações de rede básica — um investimento rateado com todo o Brasil, que traz menor pressão para a tarifa de Mato Grosso", explicou.