Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a aplicação da bandeira tarifária amarela para o mês de maio, sinalizando o início de um período de maior pressão nos custos de energia elétrica no Brasil. Dessa forma, os consumidores terão um acréscimo de R$1,88 a cada 100 kWh consumidos, refletindo, assim, a transição para o período seco e a redução no volume de chuvas.
A chegada de maio marca o fim do período chuvoso e o início de uma fase de maior variabilidade térmica. Esse comportamento climático afeta diretamente o consumo de energia, elevando o uso de equipamentos como ar-condicionado e aquecedores. Ou seja, essas oscilações aumentam a carga energética e pressionam o sistema elétrico.
Historicamente, o mês de maio também marca o início do período seco no Sudeste, quando os reservatórios deixam de ser abastecidos pelas chuvas regulares. Atualmente, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste opera com níveis de Energia Armazenada (EAR) entre 65% e 70%, um patamar ainda confortável, mas que exige atenção com a chegada do período seco.
A combinação entre menor volume de chuvas, maior variabilidade de temperatura e aumento da demanda eleva a probabilidade de acionamento de usinas térmicas, que possuem custos mais altos e impactam diretamente as tarifas. Projeções para 2026 já indicavam uma tendência de alta nos preços, e esse movimento começa a se concretizar. Recentemente, a Aneel aprovou reajustes tarifários que afetam mais de 22 milhões de consumidores, com variações médias entre 5% e 15%, dependendo da distribuidora.
Além disso, encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia subsídios do setor, continuam pressionando as tarifas. Em 2026, a CDE deve superar R$52 bilhões, com cerca de R$47,8 bilhões repassados diretamente às contas de luz.
Diante desse cenário, consumidores e empresas têm buscado alternativas para mitigar os efeitos da volatilidade nos custos de energia. Entre as estratégias mais adotadas estão a migração para o mercado livre de energia. Esse ambiente oferece maior previsibilidade de preços, e ainda, o uso de sistemas de armazenamento que ajudam a gerenciar a demanda e reduzir picos de consumo.
O CEO da Lux Energia, Gustavo Sozzi, destaca que o momento exige planejamento e gestão estratégica. Segundo ele, a energia deixou de ser uma despesa passiva e passou a ser gerida de forma estratégica. E o mercado livre permite previsibilidade de preços, enquanto soluções como baterias ajudam a reduzir picos de consumo e aumentar o controle sobre o uso de energia.
Para Sozzi, o custo da energia é construído ao longo do tempo. Além disso, afirma que acompanhar os sinais do mercado com antecedência é essencial para tomar decisões mais eficientes. Ele destacou que o aumento na conta de luz é apenas o reflexo final de um processo que começa antes, com clima, consumo e geração. E mais, quem se planeja consegue reduzir a exposição às oscilações tarifárias e adotar soluções mais eficazes.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental