Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
A transição climática global está em curso. Segundo a Agência NOAA, a La Niña, que predominou no último ano, está chegando ao fim, com expectativa de neutralidade climática nas próximas semanas. Segundo a Nottus, a probabilidade é de neutralidade entre maio e julho de 2026. A chance é de 55%, enquanto há 62% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre junho e agosto. O fenômeno pode persistir até o final do ano. Estima-se que o El Niño tenha 33% de probabilidade de ser forte e 83% de ser fraco entre outubro e dezembro de 2026.
O segundo semestre de 2026 deve ser marcado por temperaturas elevadas, especialmente na primavera, com temporais isolados no Sudeste e Centro-Oeste. Ou seja, esse cenário pode agravar os riscos de secas severas no Norte e Nordeste, prejudicando a agricultura e o abastecimento hídrico nessas regiões.
A empresa de meteorologia afirma que ainda é cedo para determinar a força do El Niño em 2026. Mas a Nottus alerta que os efeitos do fenômeno podem ser amplificados. Nesse sentido, eventos extremos, como os observados em maio de 2024 no Rio Grande do Sul, não estão descartados.
Já a Climatempo destacou que com as chuvas persistentes, o impacto direto será nas operações a céu aberto de setores como mineração, infraestrutura. E nas mais diversas concessionárias de rodovias e de energia, especialmente dos setores de transmissão e distribuição. Por outro lado, espera-se uma recuperação de reservatórios do setor de saneamento e das hidrelétricas pelo menos até maio.
De acordo com a Climatempo, o El Niño costeiro é um aquecimento acima do normal registrado de forma concentrada no litoral norte do Peru e do Equador. No Brasil, o fenômeno facilita a ocorrência de períodos de maior aquecimento no centro-sul. Já o El Niño clássico, deve se formar no final do outono ou começo do inverno, tendo como principais efeitos o aumento da chuva sobre áreas da região Sul, a maior irregularidade da chuva e o aumento da temperatura no CentroOeste e no Sudeste, e a diminuição das precipitações no Norte e no Nordeste do Brasil.
O El Niño, decorrente do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, deixa o ar mais quente e faz com que a chuva ocorra de forma irregular na maior parte do País, ao mesmo tempo que aumenta as chuvas no Rio Grande do Sul e reduz no extremo norte brasileiro, onde a Amazônia e Nordeste ficam mais propensos a seca severa.
A análise da Climatempo indica que o período mais frio este ano deve ter um maior número de incursões de ar frio restrito aos meses de maio e junho. Contudo, essa chance diminui gradualmente a partir de julho com o desenvolvimento mais consistente do El Niño.
Neste cenário de temperaturas acima da média previstas, deverá haver maior consumo e demanda de energia, impactando, especialmente, a geração e os preços do mercado de curto prazo.
Em contrapartida, o Sul do País fica mais sujeito a tempestades e mais nublado já no inverno. Segundo a Climatempo, os eventos de chuva abrangente, com risco de enchentes, além dos fortes temporais tendem a aumentar expressivamente na primavera. Parte desta instabilidade da Região Sul poderá ser sentida também nos estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As previsões apontam ainda que a cheia dos rios na Amazônia em 2026 deve ser maior do que a do ano passado, seguida por um período de vazante muito mais acentuado.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental