Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
A capacidade instalada de data centers no Brasil pode variar de 26 gigawatts (GW) a 45 GW até 2050, dependendo da expansão da infraestrutura elétrica renovável, segundo estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade (SRI) da Schneider Electric em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A projeção integra uma modelagem de longo prazo que avalia dois cenários para o desenvolvimento econômico e energético do país: no “Terra Firme”, marcado por restrições no avanço da geração e da transmissão de energia, a potência de data centers ficaria limitada a 26 GW; já no “Salto Verde”, que pressupõe crescimento acelerado da base elétrica e maior disponibilidade de fontes renováveis, o Brasil poderia alcançar 45 GW.
De acordo com o levantamento, o consumo de eletricidade dos data centers pode atingir de 160 terawatts-hora (TWh) a 280 TWh até 2040, o equivalente a cerca de 10% da demanda total projetada de energia no país. A diferença entre os panoramas está diretamente relacionada à oferta de eletricidade limpa, competitiva e previsível.
Os data centers são apontados como ativos estratégicos na era da inteligência artificial (IA) e da digitalização da economia. Com o aumento da densidade computacional associado a aplicações de IA, a demanda pelo recurso tende a crescer de forma significativa, exigindo redes elétricas mais robustas e extensão da capacidade de fornecimento.
“O fortalecimento da infraestrutura digital brasileira passa por planejamento de longo prazo, segurança jurídica e integração entre diferentes esferas de governo. Nosso compromisso é criar um ambiente regulatório estável e previsível, capaz de apoiar investimentos estruturantes e ampliar a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor associadas à economia digital”, afirmou a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz.
“O estudo mostra que a infraestrutura elétrica deixou de ser apenas um tema setorial para se tornar um fator estruturante de competitividade”, disse o presidente da Schneider Electric para o Brasil, Roberto Rossi.
“Países que considerarem este ponto estarão mais bem posicionados para sustentar o avanço da digitalização e da indústria nas próximas décadas. O Brasil reúne atributos relevantes para ocupar esse espaço, e as decisões tomadas agora serão determinantes para transformar esse potencial em protagonismo”, disse o executivo.
Na conjuntura de restrição energética, o relatório aponta a possibilidade de “competição por energia” entre indústria, mobilidade elétrica, edifícios e porte da estrutura digital instalada, o que pode pressionar preços e limitar novos investimentos. Em um contexto de evolução coordenada entre geração e transmissão, o Brasil ampliaria seu potencial de atrair projetos e consolidar serviços digitais de alta intensidade energética.
A pesquisa indica também que as decisões tomadas na próxima década - em regulação, expansão de rede e coordenação entre política industrial e planejamento energético - terão impacto direto sobre o posicionamento do país na infraestrutura digital global até meados do século.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental