{"id":986,"date":"2014-03-31T12:53:00","date_gmt":"2014-03-31T16:53:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-986","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=986","title":{"rendered":"Em: 31\/03\/2014 &agrave;s 12:53h por Veja"},"content":{"rendered":"<p>A escassez de chuvas parece n&atilde;o dar tr&eacute;gua. Nove entre dez t&eacute;cnicos do setor el&eacute;trico garantem que o m&ecirc;s de abril trar&aacute; poucas mudan&ccedil;as aos n&iacute;veis dos reservat&oacute;rios e o ministro de Minas e Energia Edison Lob&atilde;o admitiu temer a falta de luz no per&iacute;odo da Copa do Mundo. O impacto da conjuntura ruim e das falhas de planejamento do setor poderia ser menor para a popula&ccedil;&atilde;o se fontes alternativas de energia estivessem ao alcance de todos. As chamadas redes inteligentes, ou smart grids, s&atilde;o amplamente difundidas na Europa e permitem que as fam&iacute;lias controlem de maneira mais eficiente seus gastos com eletricidade &mdash; e, em alguns casos, possam at&eacute; mesmo gerar a pr&oacute;pria energia e vender o excedente ao sistema. No Brasil, disponibilizar tal solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; a cargo das distribuidoras. Contudo, para que invistam na tecnologia, seria necess&aacute;rio um plano de integra&ccedil;&atilde;o entre as redes que s&oacute; o governo poderia elaborar &mdash; mas n&atilde;o o faz.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em momentos de crise, solu&ccedil;&otilde;es alternativas, como biomassa, energia solar e e&oacute;lica podem evitar uma pane, embora a matriz energ&eacute;tica do pa&iacute;s seja hidrel&eacute;trica e n&atilde;o exista qualquer perspectiva de mudan&ccedil;a nesse cen&aacute;rio &#8211; ainda mais quando se leva em conta que o Brasil possui 13% de toda a &aacute;gua doce do mundo. Mesmo assim, o ideal seria uma combina&ccedil;&atilde;o entre todas as diferentes gera&ccedil;&otilde;es de energia. As redes inteligentes poderiam funcionar como um sistema de conting&ecirc;ncia dom&eacute;stico de energia limpa, sepultando o uso das termel&eacute;tricas, que custam muito para o estado e s&atilde;o altamente poluentes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tais redes s&atilde;o compostas por um medidor, um gerador residencial, que pode ser solar ou e&oacute;lico, e um sistema que o conecta a todos os aparelhos da casa e tamb&eacute;m &agrave; rede distribuidora. A vantagem &eacute; que o consumidor pode identificar em tempo real quais equipamentos gastam mais energia e quais h&aacute;bitos precisam ser mudados. A distribuidora, dispondo de dados a todo instante sobre o consumo das resid&ecirc;ncias, consegue identificar falhas rapidamente e distribuir a energia de maneira mais eficaz, reduzindo perdas. &ldquo;Quando uma rede inteligente &eacute; montada com base na distribui&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel ter informa&ccedil;&otilde;es em tal n&iacute;vel de detalhamento que nem mesmo o Operador Nacional do Sistema El&eacute;trico teria acesso&rdquo;, diz Hussein Keshavjee, diretor executivo de Energia da Indra no Brasil, empresa que desenvolve softwares voltados para a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica. A matriz energ&eacute;tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Entraves &#8211; Um grupo de trabalho formado pelos Minist&eacute;rios do Desenvolvimento, das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, do Planejamento e da Defesa, junto com associa&ccedil;&otilde;es do setor, discute desde 2012 um projeto de inser&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de microgera&ccedil;&atilde;o de energia renov&aacute;vel nas resid&ecirc;ncias. Mas as conversas resultaram apenas em projetos pilotos elaborados pelo setor privado &mdash; e trabalhos acad&ecirc;micos. As distribuidoras, as mais interessadas em investir na tecnologia, se encontram no centro da crise energ&eacute;tica, requerendo ajuda do governo para conseguir fechar suas contas. Segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Distribuidoras de Energia El&eacute;trica (Abradee), as companhias teriam de investir, no m&iacute;nimo, 46 bilh&otilde;es de reais na troca de medidores comuns por medidores inteligentes em todas as resid&ecirc;ncias. &ldquo;A quest&atilde;o &eacute; quem vai arcar com essa conta&rdquo;, questiona Carlos Vin&iacute;cius Frees, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). As companhias teriam de repassar a conta dos investimentos ao consumidor por meio de reajuste tarif&aacute;rio nos anos seguintes. O problema, segundo especialistas, &eacute; que as mudan&ccedil;as de regras no setor anunciadas pela presidente Dilma deixaram as empresas receosas em aportar quantias vultosas sem a certeza de ressarcimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Outro entrave est&aacute; na regula&ccedil;&atilde;o. A Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (Aneel) ainda n&atilde;o homologou todos os modelos de medidores adapt&aacute;veis ao sistema mais moderno. Desta forma, a legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o avan&ccedil;a e os benef&iacute;cios da rede inteligente n&atilde;o podem ser percebidos. O pre&ccedil;o tamb&eacute;m inibe a ades&atilde;o. Para instalar uma turbina e&oacute;lica, os investimentos para uma fam&iacute;lia de quatro pessoas podem chegar a 20.000 reais. H&aacute; ainda o chamado inversor, usado para adaptar a energia &agrave; fia&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica, que custa cerca de 8.000 reais. No caso da gera&ccedil;&atilde;o solar, o gerador custa cerca de 15.000, enquanto o inversor n&atilde;o sai por menos de 6.000 reais. Levando em conta que a microgera&ccedil;&atilde;o consegue compensar entre 50% e 80% do consumo total de energia de uma resid&ecirc;ncia, o retorno pode demorar a chegar. &ldquo;Estimamos de 10 a 12 anos para a gera&ccedil;&atilde;o e&oacute;lica e de 2 a 20 anos para a solar&rdquo;, afirma Luiz Cezar Pereira, diretor da Enersud, empresa que fabrica e vende turbinas e&oacute;licas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O engenheiro mec&acirc;nico Euler Cruz instalou h&aacute; tr&ecirc;s meses pain&eacute;is solares em sua resid&ecirc;ncia em Belo Horizonte (MG) e j&aacute; produziu energia suficiente para reduzir de 100 para 26 reais sua conta de luz. Com o excedente gerado, ele garante que poder&aacute; reduzir a conta de outras duas casas em seu nome &ndash; uma possibilidade prevista em lei. Sua primeira experi&ecirc;ncia com gera&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria foi a instala&ccedil;&atilde;o de um sistema fotovoltaico para aquecer a &aacute;gua do chuveiro. &ldquo;Tamb&eacute;m tenho uma caixa d&rsquo;&aacute;gua que acumula at&eacute; 6 mil litros de &aacute;gua da chuva. Enquanto vejo a situa&ccedil;&atilde;o dos reservat&oacute;rios de &aacute;gua e do sistema el&eacute;trico, penso que estou mais seguro&rdquo;, afirma. Para montar seu sistema de gera&ccedil;&atilde;o, Cruz desembolsou 19.000 reais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Exemplo europeu &#8211; Enquanto o Brasil ainda patina no planejamento energ&eacute;tico e na cria&ccedil;&atilde;o de incentivos &agrave; microgera&ccedil;&atilde;o, pa&iacute;ses europeus dependentes da energia a g&aacute;s, altamente poluente, resolveram transformar as redes inteligentes em pol&iacute;ticas de governo. O Reino Unido come&ccedil;ou em 2009 um amplo programa de instala&ccedil;&atilde;o de medidores inteligentes de energia el&eacute;trica e g&aacute;s em todas as resid&ecirc;ncias e em grande parte dos estabelecimentos comerciais. A substitui&ccedil;&atilde;o de 47 milh&otilde;es de aparelhos, com previs&atilde;o de conclus&atilde;o em 2020, consumir&aacute; 8,6 bilh&otilde;es de libras (33,20 bilh&otilde;es de reais). A meta &eacute; que, at&eacute; 2050, toda a energia el&eacute;trica do Reino Unido seja gerada a partir de fontes limpas, segundo o Plano de Transi&ccedil;&atilde;o para o Baixo Carbono. Isto significa uma redu&ccedil;&atilde;o de 80% nas emiss&otilde;es. O objetivo &eacute; que o valor investido se transforme em benef&iacute;cios da ordem de 14,6 bilh&otilde;es de libras (55,9 bilh&otilde;es de reais) para a popula&ccedil;&atilde;o durante os 20 anos seguintes. Comparar tais n&uacute;meros com o Brasil soa at&eacute; mesmo piada. H&aacute; apenas 85 medidores inteligentes distribu&iacute;dos em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Apesar do atraso regulat&oacute;rio e da falta de incentivos, as redes inteligentes ser&atilde;o realidade para os brasileiros cedo ou tarde, conclui Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. &ldquo;Smart grid n&atilde;o &eacute; uma nova &lsquo;ci&ecirc;ncia&rsquo;, mas sim o uso conjugado de tecnologias que est&atilde;o dispon&iacute;veis no Brasil, como os equipamentos de medi&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica, a tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e das telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;, explica. O governo, contudo, prev&ecirc; &mdash; sabe-se l&aacute; quando &mdash; o desenvolvimento de tecnologia local, e n&atilde;o a adapta&ccedil;&atilde;o de aparelhos produzidos no exterior &mdash; o que pode retardar um pouco mais o processo. Eduardo Soriano, t&eacute;cnico do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, afirma que &ldquo;tropicalizar&rdquo; as solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o vi&aacute;vel. &ldquo;&Eacute; preciso desenvolver localmente os sistemas para se adequar &agrave;s necessidades brasileiras, sem correr o risco de transform&aacute;-los numa jabuticaba&rdquo;, diz. Dif&iacute;cil &eacute; acreditar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escassez de chuvas parece n&atilde;o dar tr&eacute;gua. Nove entre dez t&eacute;cnicos do setor el&eacute;trico garantem que o m&ecirc;s de abril trar&aacute; poucas mudan&ccedil;as aos n&iacute;veis dos reservat&oacute;rios e o ministro de Minas e Energia Edison Lob&atilde;o admitiu temer a falta de luz no per&iacute;odo da Copa do Mundo. 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