{"id":978,"date":"2014-03-31T12:42:00","date_gmt":"2014-03-31T16:42:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-978","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=978","title":{"rendered":"Em: 31\/03\/2014 &agrave;s 12:42h por R7"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto o governo federal faz malabarismos para financiar as perdas bilion&aacute;rias das distribuidoras de energia causada pela falta de chuvas, um grupo seleto de empresas do setor el&eacute;trico contabiliza m&ecirc;s a m&ecirc;s ganhos extraordin&aacute;rios com o pre&ccedil;o da energia, que chegou a R$ 822 o MWh em fevereiro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O valor movimentado nos dois primeiros meses do ano j&aacute; chega a quase R$ 9 bilh&otilde;es e quase um quarto desse total est&aacute; sendo faturado por apenas quatro empresas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os n&uacute;meros s&atilde;o guardados a sete chaves pela C&acirc;mara de Comercializa&ccedil;&atilde;o de Energia El&eacute;trica (CCEE). Mas o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a alguns dados que mostram que as geradoras Cemig, Cesp (ambas estatais) e Tractebel e o banco BTG Pactual est&atilde;o entre os que mais est&atilde;o faturando com a crise do setor el&eacute;trico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Diferentes fontes ligadas &agrave;s empresas e tamb&eacute;m ao governo confirmaram as posi&ccedil;&otilde;es, mas, procuradas, nenhuma das companhias quis comentar o assunto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O volume financeiro total em fevereiro j&aacute; foi apurado, mas ainda n&atilde;o foi divulgado. Alguns t&eacute;cnicos do governo dizem que chegar&aacute; pr&oacute;ximo a R$ 6 bilh&otilde;es, mais que o dobro de janeiro.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, esse valor reflete o pre&ccedil;o da energia no mercado &agrave; vista e d&aacute; a quantia exata do quanto trocou de m&atilde;os no per&iacute;odo. Quem tem energia sobrando recebe, quem est&aacute; descontratado paga.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em janeiro, o chamado PLD (Pre&ccedil;o da Liquida&ccedil;&atilde;o das Diferen&ccedil;as), que reflete o custo do mercado &agrave; vista, foi de R$ 370 o MWh. Saltou para R$ 822 em fevereiro e o n&uacute;mero se repetiu em mar&ccedil;o, o que significa que outros R$ 6 bilh&otilde;es devem ser contabilizados. Assim, em apenas tr&ecirc;s meses R$ 15 bilh&otilde;es v&atilde;o mudar de m&atilde;os no mercado de energia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em janeiro, que &eacute; o &uacute;nico m&ecirc;s do ano com os dados j&aacute; informados aos agentes, dos R$ 2,8 bilh&otilde;es movimentados, a Cesp e a Cemig receberam por volta de R$ 240 milh&otilde;es cada uma, equivalentes a uma m&eacute;dia de 1000 MW. O BTG Pactual e a Tractebel receberam cerca de R$ 120 milh&otilde;es cada. Essas companhias ganharam porque t&ecirc;m energia em seu portf&oacute;lio que n&atilde;o foi vendida e por isso s&atilde;o liquidadas a PLD.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando o PLD est&aacute; elevado, elas faturam e lucram. No caso das estatais paulista (Cesp) e mineira (Cemig), a energia est&aacute; sobrando porque elas n&atilde;o aderiram ao programa de renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es do governo federal que vencem em 2015. Sem aderir ao programa, ficaram com seus megawatts descontratados e agora ganham com os pre&ccedil;os elevados no mercado &agrave; vista. E os pre&ccedil;os est&atilde;o elevados por causa da estiagem, que est&aacute; secando os reservat&oacute;rios das usinas hidrel&eacute;tricas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas os ganhos n&atilde;o est&atilde;o todos contabilizados na liquida&ccedil;&atilde;o financeira registrada na CCEE.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Cesp, por exemplo, tem feito leil&otilde;es de energia a R$ 750 o MWh antes de ter que liquidar a PLD. Quem compra essa energia o faz porque sabe que ainda vai ganhar a diferen&ccedil;a at&eacute; os R$ 822, que est&atilde;o registrados na CCEE. Para a geradora, a vantagem &eacute; que ela n&atilde;o fica exposta &agrave; inadimpl&ecirc;ncia do mercado, que em janeiro foi de 3%.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Cemig informa que est&aacute; liquidando a PLD apenas a energia proveniente da usina de Jaguara em fun&ccedil;&atilde;o de uma liminar do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) que permitiu que a usina, com concess&atilde;o vencida em 2013, ficasse sob seu portf&oacute;lio. Diz tamb&eacute;m que est&aacute; perdendo com a distribuidora que est&aacute; exposta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Distribuidoras<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na outra ponta, os grandes perdedores ser&atilde;o os consumidores de energia, que v&atilde;o pagar essa conta nas pr&oacute;ximas revis&otilde;es tarif&aacute;rias das distribuidoras das quais est&atilde;o conectados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Num primeiro momento, quem arca com o custo s&atilde;o as pr&oacute;prias distribuidoras, que por isso est&atilde;o tendo dificuldades de caixa. Tanto que o governo anunciou um plano de socorro que prev&ecirc; o desembolso de R$ 4 bilh&otilde;es do Tesouro e outros R$ 8 bilh&otilde;es em emiss&atilde;o de d&iacute;vidas em nome da CCEE.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No ano passado, o governo tentou resolver o problema com um leil&atilde;o de energia, mas teve pouca oferta em fun&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o teto de R$ 190 em contrato de um ano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As geradoras e comercializadoras com energia dispon&iacute;vel avaliaram que o pre&ccedil;o estava baixo e acertaram. Em dois meses, ganharam mais do que se tivessem vendido a energia no pre&ccedil;o-teto do leil&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o governo federal faz malabarismos para financiar as perdas bilion&aacute;rias das distribuidoras de energia causada pela falta de chuvas, um grupo seleto de empresas do setor el&eacute;trico contabiliza m&ecirc;s a m&ecirc;s ganhos extraordin&aacute;rios com o pre&ccedil;o da energia, que chegou a R$ 822 o MWh em fevereiro. 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