{"id":964,"date":"2014-03-28T13:29:00","date_gmt":"2014-03-28T17:29:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-961","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=964","title":{"rendered":"Em: 28\/03\/2014 &agrave;s 13:29h por Canal Energia"},"content":{"rendered":"<p><span>A alta dos custos de fornecimento de energia el&eacute;trica tem imposto um desequil&iacute;brio de caixa insustent&aacute;vel para as distribuidoras de eletricidade nacionais. Os formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas precisam se mobilizar para evitar o colapso de toda a cadeia de valor do setor el&eacute;trico brasileiro, cadeia que tem nas distribuidoras a sua base de sustenta&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico-financeira. Mesmo porque, se n&atilde;o for sanada, esta situa&ccedil;&atilde;o ultrapassar&aacute; as fronteiras do setor el&eacute;trico e comprometer&aacute; toda a economia nacional.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>De forma resumida, o desequil&iacute;brio bilion&aacute;rio que tem sido imposto &agrave;s concession&aacute;rias se deve ao descasamento entre custos de fornecimento de eletricidade e cobertura dos mesmos por receitas tarif&aacute;rias. Mas como chegamos a situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o s&eacute;ria?<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Quando promulgou a Medida Provis&oacute;ria 579, em setembro de 2012, o governo sup&ocirc;s que todas as geradoras de energia com concess&otilde;es a vencer em 2015\/2017 concordariam com a antecipa&ccedil;&atilde;o da renova&ccedil;&atilde;o das Concess&otilde;es nos termos propostos (aceitar uma indeniza&ccedil;&atilde;o que sequer estava definida e um novo contrato para venda de energia na forma de cotas que cobririam apenas os custos de opera&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o por 30 anos). Ledo engano. Algumas pequenas usinas e as estatais controladas pelo governo federal aceitaram as condi&ccedil;&otilde;es, mas as demais empresas n&atilde;o aceitaram a antecipa&ccedil;&atilde;o por antever uma perda gigantesca se assim o fizessem. Tinham raz&atilde;o, como provou a perda de valor bilion&aacute;ria que a Eletrobras tem sofrido nos &uacute;ltimos meses.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>O governo, portanto, ficou com menos cotas de energia para ratear entre as distribuidoras do que erroneamente sup&ocirc;s e, paradoxalmente, n&atilde;o realizou o Leil&atilde;o &ldquo;A-1&rdquo; de 2012, mecanismo previsto para que as Distribuidoras possam contratar a energia necess&aacute;ria para atender aos seus consumidores a partir do ano seguinte. Em 2013 o governo fez dois leil&otilde;es, mas com pre&ccedil;os-teto t&atilde;o baixos que nenhum gerador ofereceu energia no primeiro e, no segundo, menos da metade da demanda foi atendida. Os consumidores de energia, em nome de quem as distribuidoras compram a energia nos leil&otilde;es do governo e simplesmente repassam os custos, ficaram, assim, involuntariamente expostas pelo governo ao risco de pre&ccedil;o do mercado de curto prazo.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Estima-se em cerca de 2500 MWm&eacute;dios a quantidade de energia que as distribuidoras est&atilde;o sendo for&ccedil;adas a comprar no mercado de curto prazo. Como a seca desse ver&atilde;o est&aacute; obrigando o Operador Nacional do Sistema (ONS) a acionar todas as usinas termel&eacute;tricas de que disp&otilde;e, o pre&ccedil;o neste mercado (&ldquo;PLD&rdquo;) disparou, atingindo o teto de R$ 822\/MWh. O problema &eacute; agravado para aquelas distribuidoras que receberam dos leil&otilde;es anteriores uma grande parcela de contratos de termel&eacute;tricas &ldquo;por disponibilidade&rdquo;, segundo os quais as distribuidoras s&atilde;o for&ccedil;adas a pagar um valor adicional quando as usinas s&atilde;o operadas. Como elas est&atilde;o sendo operadas a plena carga, e por longo tempo, os custos t&ecirc;m se acumulado em cifras tamb&eacute;m bilion&aacute;rias.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Pode-se dizer, portanto, que as distribuidoras t&ecirc;m concedido um financiamento aos consumidores para a compra de energia neste ano. O valor do empr&eacute;stimo somaria algo entre R$ 12 e R$ 20 bilh&otilde;es (estimativa que varia em fun&ccedil;&atilde;o das chuvas futuras). Para se ter uma ideia da magnitude deste desequil&iacute;brio, a disponibilidade de caixa prevista para o ano de todas as distribuidoras (LAJIDA &ndash; Lucros Antes dos Juros, Impostos, Deprecia&ccedil;&atilde;o e Aprecia&ccedil;&atilde;o) &eacute; estimada em cerca de R$ 10 bilh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Diante do problema, o governo, acertadamente, disp&ocirc;s-se a criar alternativas para disponibilizar recursos na forma de um &ldquo;empr&eacute;stimo&rdquo; para as distribuidoras de modo a postergar para depois de 2014 a cobran&ccedil;a do custo dessa energia aos consumidores, cobran&ccedil;a que ter&aacute; que ser feita mais cedo ou mais tarde.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Assim, fica mais do que claro que os &ldquo;socorridos&rdquo; s&atilde;o os consumidores, que deveriam ter suas tarifas aumentadas j&aacute; em 2014 para cobrir os custos de fornecimento de energia, e n&atilde;o as distribuidoras, como tem sido dito em alguns f&oacute;runs.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>A sustentabilidade financeira do setor est&aacute; em jogo, e o governo est&aacute; correto em fazer esses aportes emergenciais para evitar o desmoronamento de toda a cadeia de valor setorial. Afinal, as contas de luz arrecadadas pelas 63 distribuidoras nacionais s&atilde;o a &uacute;nica fonte de recursos de cobertura de todos os custos de gera&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o. Como as contas de luz deixaram de refletir as receitas requeridas para cobrir tais custos, todo o setor passa a correr o risco de se tornar insustent&aacute;vel.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>O socorro aos consumidores por meio de solu&ccedil;&otilde;es que aliviem a press&atilde;o de caixa sobre as empresas precisa ser r&aacute;pido, intenso e sem contabilidades criativas.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>Quaisquer que sejam as medidas concebidas pelo governo, dois princ&iacute;pios fundamentais precisam ser respeitados. O primeiro &eacute; que tais medidas n&atilde;o gerem custos adicionais para as empresas. Afinal, n&atilde;o foram elas que geraram o desequil&iacute;brio atual.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span>O segundo princ&iacute;pio enfrentar&aacute; resist&ecirc;ncias em fun&ccedil;&atilde;o do calend&aacute;rio eleitoral, mas em algum momento algu&eacute;m precisar&aacute; contar para os consumidores que os custos de energia est&atilde;o subindo e que as tarifas precisar&atilde;o voltar a refletir a realidade.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><em><span>Claudio J. D. Sales e Eduardo M&uuml;ller Monteiro s&atilde;o Presidente e Diretor Executivo do Instituto Acende Brasil (<\/span><\/em><\/strong><span><a href=\"http:\/\/www.acendebrasil.com.br\/\" target=\"_blank\"><strong><em><span>www.acendebrasil.com.br<\/span><\/em><\/strong><\/a><strong><em>)<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alta dos custos de fornecimento de energia el&eacute;trica tem imposto um desequil&iacute;brio de caixa insustent&aacute;vel para as distribuidoras de eletricidade nacionais. Os formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas precisam se mobilizar para evitar o colapso de toda a cadeia de valor do setor el&eacute;trico brasileiro, cadeia que tem nas distribuidoras a sua base de sustenta&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico-financeira. 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