{"id":833,"date":"2014-03-07T12:43:00","date_gmt":"2014-03-07T16:43:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-809","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=833","title":{"rendered":"Em: 07\/03\/2014 &agrave;s 12:43h por Jornal da Energia"},"content":{"rendered":"<p>Considerada como alternativa ao financiamento de grandes projetos, as deb&ecirc;ntures de infraestrutura (tamb&eacute;m conhecidas como incentivadas) tendem a ter um custo maior em 2014, o que pode resultar em uma redu&ccedil;&atilde;o dessa opera&ccedil;&atilde;o ao longo do ano. Segundo economistas, o mercado se tornou menos atrativo ap&oacute;s as sucessivas eleva&ccedil;&otilde;es da taxa b&aacute;sica de juros (Selic), da press&atilde;o da infla&ccedil;&atilde;o, bem como a mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica econ&ocirc;mica americana, que tamb&eacute;m teve reflexos no Brasil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;O mercado de deb&ecirc;ntures, que parecia ser uma alternativa, que vinha crescendo e dando mostra de certo vigor at&eacute; metade do ano passado, piorou muito&rdquo;, disse Fernando Camargo, economista especialista em deb&ecirc;ntures da LCA Consultoria.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Regulamentada pela Lei 12.431\/11, as deb&ecirc;ntures de infraestrutura (DIs) t&ecirc;m um grande apelo tribut&aacute;rio. Investidores estrangeiros e pessoas f&iacute;sicas que adquirirem os t&iacute;tulos s&atilde;o isentos da cobran&ccedil;a de Imposto de Renda, o que torna esse tipo de papel mais atrativo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O mercado de deb&ecirc;ntures de infraestrutura soma 25 emiss&otilde;es, sendo oito de empresas do setor el&eacute;trico. De l&aacute; para c&aacute;, mais de cem projetos receberam autoriza&ccedil;&otilde;es para emitir as DIs, sendo a maioria dos segmentos de energia e transportes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;Houve um per&iacute;odo significativo de emiss&otilde;es de deb&ecirc;ntures focadas em infraestrutura. Se voc&ecirc; pegar a rela&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es, tem mais de uma emiss&atilde;o por m&ecirc;s em m&eacute;dia desde junho de 2012&rdquo;, lembrou Camargo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No segmento de energia el&eacute;trica, as primeiras emiss&otilde;es ocorreram em julho de 2012, com a Linha de Transmiss&atilde;o Montes Claros captando R$25 milh&otilde;es, remunerando com IPCA + 8,75% (vencimento em abril de 2029); e a Rio Canoas Energia, captando R$75 milh&otilde;es, pagando IPCA + 7,89% (vencimento em dezembro de 2024).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Outras emiss&otilde;es importantes conseguiram captar recursos a um custo menor, como foi o caso da Santo Antonio Energia, que captou R$420 milh&otilde;es pagando IPCA + 6,2% (dez\/2022) ou a Interliga&ccedil;&atilde;o El&eacute;trica do Madeira, que captou R$350 milh&otilde;es pagando IPCA +5,5% (mar\/2025).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;D&aacute; pra dizer que esse mercado vinha vindo bem&rdquo;, afirmou Camargo.&nbsp;Contudo, com a mudan&ccedil;a na conjuntura econ&ocirc;mica dos &uacute;ltimos meses, com t&iacute;tulos p&uacute;blicos pagando melhor, esse tipo de papel precisou elevar a remunera&ccedil;&atilde;o para manter a sua atratividade, apontam economistas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No segundo semestre de 2013 ocorreram tr&ecirc;s emiss&otilde;es do setor el&eacute;trico. A Jarau Transmissora de Energia captou R$39 milh&otilde;es, mas teve que pagar IPCA + 8% (dez\/2030). A Norte Energia, sociedade que det&eacute;m a concess&atilde;o da hidrel&eacute;trica Belo Monte, mesmo com toda a sua musculatura financeira captou R$200 milh&otilde;es ao custo de IPCA + 7,5% (set\/2026).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A emiss&atilde;o mais recente de DIs no setor el&eacute;trico, da Termel&eacute;trica Pernambuco (Multiner), captou R$300 milh&otilde;es, mas teve que pagar IPCA + 9,11% (2025).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Essa necessidade de eleva&ccedil;&atilde;o no cupom de juros faz com que as empresas optem por concentrar os financiamentos de seus projetos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES), que oferece juros e prazo de amortiza&ccedil;&atilde;o mais convenientes. Por&eacute;m, existe o temor de que o banco de fomento n&atilde;o d&ecirc; conta do recado no futuro, reduzindo as margens de alavancagem dos projetos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;Uma das ideias do governo ao montar esse tipo de papel &eacute; complementar o BNDES. No limite, as deb&ecirc;ntures de infraestrutura v&ecirc;m para substituir um financiamento de longo prazo&rdquo;, disse Camargo. &ldquo;Por outro lado, o BNDES, que at&eacute; ent&atilde;o deu conta do recado, mostra que n&atilde;o vai conseguir atender todo o mercado&rdquo;, completou o economista. &ldquo;Por isso essa necessidade de desenvolver o mercado de deb&ecirc;ntures rapidamente para n&atilde;o parar a economia.&rdquo;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao longo dos anos, o BNDES tem diminu&iacute;do a alavancagem dos projetos. De 100% do valor de investimento, o qual o banco j&aacute; chegou a completar com 85%, essa cobertura vem caindo para 60%, 55%, explicou o economista. &ldquo;O fato &eacute; o BNDES tem tentado, de certa forma, empurrar essas deb&ecirc;ntures&rdquo;, disse Camargo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Ponto de vista jur&iacute;dico<\/strong><br \/>A regra da DIs saiu em junho de 2011. A demora de quase um ano para acontecer as primeiras emiss&otilde;es ocorreu devido a algumas quest&otilde;es jur&iacute;dicas que precisavam ser resolvidas, explicou o advogado Ricardo Sim&otilde;es, s&oacute;cio da Pinheiro Neto Advogados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;O mecanismo est&aacute; pronto. Juridicamente a lei est&aacute; resolvida. O mercado j&aacute; entendeu. Esse ano j&aacute; teve oferta bilion&aacute;ria da Vale, que demonstra que o mecanismo funciona. Estamos com algumas ofertas no pipeline para sair neste semestre, ofertas grandes de deb&ecirc;ntures de infraestrutura e duas s&atilde;o de empresas de energia el&eacute;trica&rdquo;, disse Sim&otilde;es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;O que a gente est&aacute; vendo &eacute; que tem demanda tanto do ponto de vista do emissor quando do investidor. As taxas s&atilde;o boas, como isen&ccedil;&atilde;o fiscal. As companhias precisam de recurso para infraestrutura e elas, muitas vezes, n&atilde;o querem esperar todo o processo do BNDES. As deb&ecirc;ntures procuram dar essa agilidade para a empresa&rdquo;, analisou o advogado da Pinheiro Neto, empresa que prestou assessoria jur&iacute;dica para a primeira montagem de emiss&atilde;o de DIs no Brasil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&ldquo;Acho que nos pr&oacute;ximos anos, at&eacute; pela necessidade de investimento, o cen&aacute;rio que estamos trabalhando &eacute; que deve sair mais emiss&otilde;es. Estamos bem animados&rdquo;, completou Sim&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerada como alternativa ao financiamento de grandes projetos, as deb&ecirc;ntures de infraestrutura (tamb&eacute;m conhecidas como incentivadas) tendem a ter um custo maior em 2014, o que pode resultar em uma redu&ccedil;&atilde;o dessa opera&ccedil;&atilde;o ao longo do ano. 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