{"id":2882,"date":"2015-03-17T16:07:00","date_gmt":"2015-03-17T20:07:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2915","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2882","title":{"rendered":"Em: 17\/03\/2015 &agrave;s 16:07h por"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>As sociedades industriais modernas n&atilde;o podem sobreviver sem o uso intensivo de energia. A energia, n&atilde;o importando sua fonte de origem &ndash; petr&oacute;leo, g&aacute;s, &aacute;gua, biomassa, luz solar, ur&acirc;nio ou vento &ndash; &eacute; imprescind&iacute;vel para o desenvolvimento de um pa&iacute;s. N&atilde;o &eacute; por outra raz&atilde;o que cientistas elaboraram par&acirc;metros de avalia&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento material e cultural de uma sociedade, baseados no uso das energias dispon&iacute;veis no meio ambiente onde floresce esta comunidade. O principal aspecto nesta avalia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a fonte de energia utilizada, mas a tecnologia aplicada para o uso desta energia; j&aacute; que &eacute; esta que vai espelhar o grau de desenvolvimento tecnol&oacute;gico &ndash; significando conhecimento cient&iacute;fico e t&eacute;cnico &ndash; da sociedade em quest&atilde;o.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ao longo dos &uacute;ltimos 230 anos aproximadamente, o uso das fontes energ&eacute;ticas tem se desenvolvido rapidamente. Se at&eacute; quase o final do s&eacute;culo XVIII as m&aacute;quinas para aproveitamento da energia cin&eacute;tica (movimento e for&ccedil;a) e calor&iacute;fera (calor) eram bastante primitivas e ineficientes, o grande salto foi dado quando t&eacute;cnicos-artes&atilde;os, principalmente da Inglaterra, desenvolveram m&aacute;quinas capazes de utilizar a energia cin&eacute;tica gerada pelo vapor d&acute;&aacute;gua, queimando carv&atilde;o mineral. Durante todo o s&eacute;culo XIX e XX, s&oacute; aumentaram e se diversificaram as tecnologias capazes de aproveitar a energia das diversas fontes; do carv&atilde;o vegetal e mineral aos derivados de petr&oacute;leo; do aproveitamento da &aacute;gua, da luz do sol e do vento, at&eacute; o ur&acirc;nio para gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Jacques Attali, doutor em economia e assessor do governo da Fran&ccedil;a, &eacute; famoso por seus livros discorrendo sobre o futuro da sociedade mundial. Em seu livro Uma breve hist&oacute;ria do futuro (Novo S&eacute;culo Editora, 2008) faz uma s&eacute;rie de previs&otilde;es sobre como o mundo evoluir&aacute; social, econ&ocirc;mica e politicamente ao longo do s&eacute;culo XXI. No que se refere ao tema da energia, Attali escreve entre outras coisas: &ldquo;A energia solar, bem como a energia e&oacute;lica,s&oacute; ser&atilde;o fontes inesgot&aacute;veis quando se tornarem estoc&aacute;veis. Ser&aacute; dif&iacute;cil desenvolver a biomassa em grande escala, exceto para alimentar carros particulares, o que &eacute; muito importante. As outras fontes de energia naturais (geotermia, ondas, mar&eacute;) parecem incapazes de responder a uma demanda significativa. Enfim, a fus&atilde;o termonuclear, que poderia, sozinha, representar uma fonte quase ilimitada, com certeza n&atilde;o ser&aacute; pratic&aacute;vel antes do fim do s&eacute;culo XXI, pelo menos. No total, a energia ser&aacute; cada vez mais custosa, o que incitar&aacute; a economizar, substituindo os movimentos f&iacute;sicos pelas trocas imateriais.&rdquo; (Attali, 2008).<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Apesar de ser dif&iacute;cil ter-se uma antevis&atilde;o a respeito das futuras aplica&ccedil;&otilde;es das energias renov&aacute;veis &ndash; j&aacute; que &eacute; imprevis&iacute;vel a maneira como estas tecnologias se desenvolver&atilde;o &ndash; &eacute; certo que a obten&ccedil;&atilde;o de energia se tornar&aacute; cada vez mais dif&iacute;cil. Por diversas raz&otilde;es, desde a escassez das fontes energ&eacute;ticas at&eacute; a limita&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e o forte impacto ambiental da gera&ccedil;&atilde;o, a energia se tornar&aacute; um insumo caro e disputado. Com isso, todos os pa&iacute;ses, do mais ao menos desenvolvido, enfrentar&atilde;o dificuldades em diversos graus para obterem a energia necess&aacute;ria ao seu crescimento &ndash; se &eacute; que na segunda metade deste s&eacute;culo ainda se falar&aacute; em crescimento econ&ocirc;mico.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Outro estudioso do desenvolvimento do setor energ&eacute;tico global, Daniel Yergin, enfatiza em seu livro The Quest (A Quest&atilde;o &ndash; The Penguin Press, 2012) a dificuldade em se fazer uma previs&atilde;o a respeito do desenvolvimento futuro das fontes de energia. Certamente, afirma o autor, surgir&atilde;o &ldquo;fontes de energia que n&atilde;o identificamos at&eacute; hoje&rdquo;. Como exemplo disso, o especialista cita o fato de que no auge da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, com larga utiliza&ccedil;&atilde;o do carv&atilde;o mineral, n&atilde;o se imaginava o imenso potencial energ&eacute;tico (e industrial) de outra fonte, o petr&oacute;leo.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Assim, segundo muitos especialistas europeus e americanos, a &uacute;nica maneira de enfrentar este impasse em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro da energia &ndash; no que se refere &agrave;s fontes e &agrave;s tecnologias de gera&ccedil;&atilde;o &ndash; &eacute; investir em pesquisa (P&amp;D) e tornar toda a economia, desde os processos de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o aos produtos e equipamentos, mais eficiente, consumindo menos energia. Outra provid&ecirc;ncia sugerida &eacute; investir na gera&ccedil;&atilde;o a partir de fontes baratas e n&atilde;o poluentes, como as energias renov&aacute;veis.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Junto com a solar e a e&oacute;lica, a energia de biomassa representa uma das maiores fontes de energia renov&aacute;vel em todo o mundo. No que concerne a esta fonte de energia, os pa&iacute;ses industrializados j&aacute; est&atilde;o antecipando o futuro. Segundo dados da Ag&ecirc;ncia de Energia da Alemanha (DENA), em 2009 foram gerados em todo o mundo aproximadamente 125.600 gigawatt horas (GWh) a partir da queima de biomassa s&oacute;lida. Deste total, cerca de 32% (40 mil GWh) foram gerados nos Estados Unidos e 10% (12.900 GWh) na Alemanha; os dois maiores produtores mundiais de eletricidade a partir da biomassa s&oacute;lida. Na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, entre 2001 e 2009, o volume de eletricidade gerada a partir da biomassa aumentou 14,7%, alcan&ccedil;ando 62.186.000 GWh no ano de 2009.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>No Brasil, apesar do grande potencial de explora&ccedil;&atilde;o desta fonte energ&eacute;tica, ainda n&atilde;o existem estat&iacute;sticas sobre o volume de energia el&eacute;trica gerada a partir da biomassa. Especialistas, no entanto, estimam que em 2012 foram produzidos aproximadamente 2,5 mil GWh a partir desta fonte. Segundo estudo da Uni&atilde;o das Ind&uacute;strias de Cana de A&ccedil;&uacute;car (&Uacute;NICA), at&eacute; 2020\/2021 somente as usinas de cana-de-a&ccedil;&uacute;car (sem contar as outras fontes geradoras) poder&atilde;o produzir um total de 13.150 MW; cerca de uma Itaipu e meia.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Diante do fato de que o consumo de energia no Brasil aumenta a cada ano e da possibilidade de uma nova crise energ&eacute;tica, &eacute; cada vez mais urgente o planejamento do setor energ&eacute;tico brasileiro. Al&eacute;m de aumentar e diversificar a gera&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio investir em pesquisa de novas fontes e tecnologias e em medidas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica. (Ricardo Ernesto\/Administradores)<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As sociedades industriais modernas n&atilde;o podem sobreviver sem o uso intensivo de energia. 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