{"id":2423,"date":"2014-11-18T19:17:00","date_gmt":"2014-11-18T23:17:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2446","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2423","title":{"rendered":"Em: 18\/11\/2014 &agrave;s 19:17h por Valor"},"content":{"rendered":"<p><span>Se for aprovado como est&aacute;, o novo C&oacute;digo de Processo Civil (CPC), em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado, obrigar&aacute; o setor industrial a desembolsar cerca de R$ 1 bilh&atilde;o para cumprir suas exig&ecirc;ncias e acompanhar novas a&ccedil;&otilde;es judiciais. Ao contr&aacute;rio de juristas, que apostam em maior celeridade do Judici&aacute;rio, o setor produtivo entende que o texto atual trar&aacute; mais inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, com um crescimento no n&uacute;mero de processos e, consequentemente, do custo Brasil.<\/span><br \/><span>As medidas mais temidas est&atilde;o relacionadas ao aumento de poder dos ju&iacute;zes. Um dos dispositivos do Projeto de Lei do Senado (PLS) n&ordm; 166, de 2010, por exemplo, deixa a cargo do magistrado determinar, em discuss&otilde;es sobre transa&ccedil;&otilde;es comerciais, por exemplo, a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova. A empresa acusada ter&aacute; que provar que &eacute; inocente, como j&aacute; acontece nas rela&ccedil;&otilde;es com consumidores. &#8220;Ao prever essa possibilidade, o projeto imp&otilde;e maiores custos &agrave;s empresas com a gest&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es&#8221;, diz Elias Marques de Medeiros Neto, diretor jur&iacute;dico da Cosan e professor de direito processual civil. &#8220;A empresa necessitar&aacute; de um preciso controle de documenta&ccedil;&atilde;o e hist&oacute;rico dos fatos.&#8221;<\/span><br \/><span>O setor tamb&eacute;m est&aacute; receoso com o fato de o juiz poder intervir na administra&ccedil;&atilde;o das empresas, removendo o poder de comando para obter provas &#8211; uma viola&ccedil;&atilde;o ao direito de propriedade, segundo a ind&uacute;stria.<\/span><\/p>\n<p><span>Da lista de pontos cr&iacute;ticos do texto elaborada pela Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de S&atilde;o Paulo (Fiesp), o advogado H&eacute;lcio Honda, diretor jur&iacute;dico da entidade, destaca a desconsidera&ccedil;&atilde;o da personalidade jur&iacute;dica &#8211; que permite alcan&ccedil;ar os bens dos s&oacute;cios. Ela passaria a ser cab&iacute;vel em todas as fases do processo, se o texto antigo do Senado, alterado na C&acirc;mara dos Deputados, for retomado. O projeto de lei j&aacute; foi aprovado pelo Senado, mas, por ter sofrido mudan&ccedil;as, voltou &agrave; an&aacute;lise dos senadores.<\/span><br \/><span>Outro ponto preocupante, segundo Honda, &eacute; o que determina expressamente que a penhora on-line de dinheiro, em dep&oacute;sito em conta corrente ou aplica&ccedil;&atilde;o financeira, ser&aacute; determinada pelo magistrado sem a necessidade de dar ci&ecirc;ncia pr&eacute;via do ato ao executado.<\/span><\/p>\n<p><span>Para Honda, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio um novo C&oacute;digo de Processo Civil para reduzir a morosidade do Judici&aacute;rio. &#8220;O ideal &eacute; investir mais na resolu&ccedil;&atilde;o alternativa de conflitos. A penhora on-line do faturamento da empresa faz com que ela tenha que tomar medidas judiciais para conseguir o desbloqueio e continuar operando&#8221;, afirma o diretor jur&iacute;dico, acrescentando que s&oacute;cios tamb&eacute;m continuam a ter seus recursos penhorados. &#8220;Com o novo CPC, isso ir&aacute; se disseminar ainda mais.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span>O preju&iacute;zo de R$ 1 bilh&atilde;o para a ind&uacute;stria foi calculado pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Direito e Economia (ABDE). Segundo o advogado Luciano Timm, diretor da entidade, o valor foi calculado com base nos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios m&iacute;nimos previstos na tabela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no custo de cada processo, que gira em torno de R$ 5 mil na primeira e segunda inst&acirc;ncias. Levou-se em considera&ccedil;&atilde;o ainda o aumento no n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es judiciais gerado pela nova Lei de Recupera&ccedil;&atilde;o e Fal&ecirc;ncias &#8211; Lei n&ordm; 11.101, de 2005. Estima-se que as empresas gastaram cerca de R$ 500 milh&otilde;es para acompanhar ao redor de 23 mil novos processos.<\/span><br \/><span>Outro custo alto seria com a convers&atilde;o de &#8220;perdas prov&aacute;veis&#8221; em &#8220;perdas poss&iacute;veis&#8221;, o que levaria as empresas de capital aberto a ter que fazer mais provis&otilde;es para processos judiciais nos seus balan&ccedil;os. Isso porque existe a proposta de retirada do efeito suspensivo da apela&ccedil;&atilde;o. Na pr&aacute;tica, se a empresa for condenada na primeira inst&acirc;ncia, ter&aacute; que cumprir com as san&ccedil;&otilde;es impostas imediatamente, mesmo que apresente apela&ccedil;&atilde;o para tentar fazer com que a inst&acirc;ncia superior da Justi&ccedil;a modifique a decis&atilde;o.<\/span><br \/><span>Al&eacute;m disso, segundo a ind&uacute;stria, os ju&iacute;zes poder&atilde;o ainda conceder tutelas antecipadas de urg&ecirc;ncia (esp&eacute;cie de liminar) sem precisar basear-se em justificativas objetivas, como &eacute; exigido atualmente.<\/span><\/p>\n<p><span>Hoje, os departamentos de rela&ccedil;&otilde;es institucionais de ind&uacute;strias dos mais diversos segmentos trabalham para tentar barrar a aprova&ccedil;&atilde;o do novo CPC neste ano. Em 2015, o perfil do Senado estar&aacute; diferente, com maior participa&ccedil;&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o. A ind&uacute;stria teme que o projeto de lei, nascido no Senado em 2009, sob a presid&ecirc;ncia de Jos&eacute; Sarney (PMDB-AP), seja aprovado ainda este m&ecirc;s, a toque de caixa. Isso poderia acontecer porque o senador Vital do R&ecirc;go (PMDB-PB), relator do projeto de lei, &eacute; presidente da CPI Mista da Petrobras e deve ocupar a vaga do ministro Jos&eacute; Jorge, do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU), que deve se aposentar amanh&atilde;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se for aprovado como est&aacute;, o novo C&oacute;digo de Processo Civil (CPC), em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado, obrigar&aacute; o setor industrial a desembolsar cerca de R$ 1 bilh&atilde;o para cumprir suas exig&ecirc;ncias e acompanhar novas a&ccedil;&otilde;es judiciais. 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