{"id":2262,"date":"2014-10-23T15:49:00","date_gmt":"2014-10-23T19:49:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2284","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2262","title":{"rendered":"Em: 23\/10\/2014 &agrave;s 15:49h por DCI"},"content":{"rendered":"<p><span>A falta de chuvas e o alto grau de depend&ecirc;ncia das usinas hidrel&eacute;tricas na gera&ccedil;&atilde;o de energia ligaram um sinal de alerta. Para representantes do setor, o Brasil est&aacute; avan&ccedil;ando na diversifica&ccedil;&atilde;o da matriz de energia, mas em um ritmo mais lento que o necess&aacute;rio.<\/span><\/p>\n<p><span>Dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontam que o n&iacute;vel dos reservat&oacute;rios das hidrel&eacute;tricas das Regi&otilde;es Sudeste e Centro-Oeste est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o pior que a vista em 2001, quando o pa&iacute;s enfrentou racionamento de energia el&eacute;trica.<\/span><\/p>\n<p><span>O armazenamento m&eacute;dio das hidrel&eacute;tricas das duas regi&otilde;es que respondem por cerca de 70% da capacidade de gera&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s, estava em 21,11% no dia 20 de outubro. No mesmo m&ecirc;s de 2001, o n&iacute;vel m&eacute;dio era de 21,39%, conforme o org&atilde;o .<\/span><\/p>\n<p><span>De acordo com o ONS, o n&iacute;vel de armazenamento das represas dessas regi&otilde;es deve continuar caindo at&eacute; o final de outubro, podendo chegar a 19%.<\/span><\/p>\n<p><span>Essa previs&atilde;o de queda &eacute; explica por estimativa de menor volume de chuvas nos reservat&oacute;rios em outubro. No Sudeste e Centro-Oeste, a quantidade de chuvas deve ficar em apenas 67% da m&eacute;dia hist&oacute;rica para o per&iacute;odo, segundo o ONS.<\/span><\/p>\n<p><span>A depend&ecirc;ncia brasileira de fontes de gera&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica diminuiu nos &uacute;ltimos 40 anos, mas ainda &eacute; elevada quando comparada a outros pa&iacute;ses. Dados do Minist&eacute;rio de Minas e Energia apontam que em 1973, 89,4% da matriz brasileira dependiam dessa fonte. Em 2013, era de 70,7%. No mundo, a depend&ecirc;ncia h&iacute;drica &eacute; de 16,2%. A maior utiliza&ccedil;&atilde;o das usinas t&eacute;rmicas, que tem servido para compensar a queda da gera&ccedil;&atilde;o das hidrel&eacute;tricas, fez aumentar o consumo de g&aacute;s para produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. Em 1973, o Pa&iacute;s n&atilde;o usava essa fonte que em 2013 foi respons&aacute;vel por 11,3%.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Investidores em Autoprodu&ccedil;&atilde;o (Abiape), M&aacute;rio Messel, diversificar as fontes de energia n&atilde;o significa abandonar o sistema hidr&aacute;ulico, que cumpre um papel essencial na seguran&ccedil;a do sistema brasileiro. &#8220;Os reservat&oacute;rios das hidrel&eacute;tricas s&atilde;o essenciais para a seguran&ccedil;a do sistema. O que precisamos &eacute; reduzir a depend&ecirc;ncia [deles]&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>Custo<\/span><\/p>\n<p><span>Para o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Companhias de Energia El&eacute;trica (ABCE), Alexei Vivan, o Pa&iacute;s aos poucos est&aacute; conseguindo diversificar suas fontes. No entanto, segundo ele, o alto custo de produ&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; o principal entrave para a expans&atilde;o das fontes alternativas. &#8220;Os custos de produ&ccedil;&atilde;o precisam ser reduzidos para que investidores se sintam atra&iacute;dos a investir nesse setor. E isso se faz, principalmente, com pesquisa e desenvolvimento de tecnologia pr&oacute;pria&#8221;, comenta Vivan.<\/span><\/p>\n<p><span>Na avalia&ccedil;&atilde;o da ABCE o Brasil deveria investir mais em pesquisa. &#8220;Ainda est&aacute; longe do necess&aacute;rio, mas o Brasil est&aacute; acordando para a necessidade de investir em inova&ccedil;&atilde;o&#8221;, destaca.<\/span><\/p>\n<p><span>Por outro lado, Messel acredita que a ado&ccedil;&atilde;o de leil&otilde;es espec&iacute;ficos para fontes renov&aacute;veis foi uma iniciativa importante para incentivar a diversifica&ccedil;&atilde;o. Para ele, o modelo anterior onde fontes diferentes concorriam no mesmo certame tirava o interesse de investimento em energias renov&aacute;veis que n&atilde;o tinha um pre&ccedil;o competitivo. &#8220;Quando h&aacute; um leil&atilde;o onde todas as fontes concorrem juntas aquela que tem um custo menor tem uma vantagem competitiva muito grande. Diante disso, o investidor acaba optando por aquela com menor pre&ccedil;o e maior retorno o que atrofia o desenvolvimento de energias renov&aacute;veis&#8221;, analisa Messel.<\/span><\/p>\n<p><span>Racionamento<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo a presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Energia E&oacute;lica (Abeeolica), Elbia Melo, o Brasil deveria ter se planejado mais ap&oacute;s a crise h&iacute;drica que levou a um racionamento em 2001. &#8220;Hoje &eacute; f&aacute;cil olhar para tr&aacute;s e ver isso, mas apesar do racionamento o Brasil n&atilde;o conseguiu investir como deveria em fontes alternativas e estamos pagando o pre&ccedil;o agora&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p><span>Na opini&atilde;o dela, faltou capacidade ao setor para enxergar que novas dificuldades poderiam acontecer num prazo t&atilde;o curto. Apesar disso, ela acredita que h&aacute; mais clareza hoje das dificuldades e que aos poucos o pa&iacute;s est&aacute; conseguindo diversificar suas fontes.<\/span><\/p>\n<p><span>Para Elbia os projetos de fontes alternativas est&atilde;o considerando os pre&ccedil;os mais competitivos. &#8220;O pre&ccedil;o da energia e&oacute;lica, por exemplo, come&ccedil;ou a tornar mais competitivo a partir de 2009 e 2010. Desde ent&atilde;o, a gera&ccedil;&atilde;o a partir dessa fonte cresceu muito&#8221;, afirmou a presidente da Albeeolica.<\/span><\/p>\n<p><span>A Eletrosul, por exemplo, anunciou ontem o in&iacute;cio das obras do Parque E&oacute;lico Hermenegildo, no Rio Grande do Sul. O empreendimento agregar&aacute; cerca de 180 megawatts (MW) de capacidade ao complexo E&oacute;lico Campos Neutrais. Segundo a companhia, os investimentos para as obras somar&atilde;o, aproximadamente, R$ 900 milh&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p><span>A preocupa&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento de fontes de energia alternativa n&atilde;o &eacute; exclusiva do Brasil. Outros pa&iacute;ses tamb&eacute;m est&atilde;o lidando com esse desafio.<\/span><\/p>\n<p><span>O potencial &eacute; grande, segundo estudo do Greenpeace. A organiza&ccedil;&atilde;o estima que a capacidade instalada de energia e&oacute;lica pode crescer cerca de 500%, ou para dois mil gigawatts (GW), at&eacute; 2030. Caso a expectativa se confirme, 19% da eletricidade global partir&aacute; dessa modalidade. De acordo com a pesquisa, a capacidade atual &eacute; de apenas 318 GW, o equivalente a 3% do total da eletricidade gerada em todo o mundo.<\/span><\/p>\n<p><span>Europa<\/span><\/p>\n<p><span>A Alemanha &eacute; um exemplo de pa&iacute;s que est&aacute; lidando com esssa situa&ccedil;&atilde;o. O governo daquele pa&iacute;s decidiu mudar radicalmente sua matriz ap&oacute;s o vazamento de radia&ccedil;&atilde;o da Usina de Fukushima, no Jap&atilde;o, em 2011.<\/span><\/p>\n<p><span>Diversas usinas nucleares foram fechadas e as empresas do setor tem at&eacute; 2022 para encerrar todas. A meta alem&atilde; &eacute; chegar a pelo menos 70% da matriz el&eacute;trica baseada em fontes renov&aacute;veis at&eacute; o ano de 2050.<\/span><\/p>\n<p><span>&#8220;Desde o momento em que se decidiu fechar as usinas nucleares, o governo alem&atilde;o tra&ccedil;ou um plano para diversificar suas fontes. A parte central desse plano &eacute; o investimento em pesquisa&#8221;, afirma o diretor executivo da E.ON, Roel van der Stok.<\/span><\/p>\n<p><span>A Holanda tamb&eacute;m tem metas ambiciosas. A perspectiva &eacute; ter um sistema de energia sustent&aacute;vel at&eacute; 2050. A exemplo da Alemanha, o governo holand&ecirc;s tamb&eacute;m acredita na import&acirc;ncia da pesquisa. &#8220;Para a Holanda, &eacute; preciso que pesquisas de energia saiam do papel e se tornem fontes de gera&ccedil;&atilde;o de energia sustent&aacute;vel&#8221;, diz o diretor da Agencia Holandesa de Investimentos Estrangeiros (NFIA), Egbert Hartsema.<\/span><\/p>\n<p><span>O governo holand&ecirc;s aposta em parcerias com outros pa&iacute;ses, inclusive o Brasil. Na pr&oacute;xima quinta-feira (23) ser&aacute; assinado a extens&atilde;o do protocolo de inten&ccedil;&otilde;es das holandesas BE-Basic, KLM e SkyEnergy com o Governo de Minas para biocombust&iacute;veis na &aacute;rea de avia&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de chuvas e o alto grau de depend&ecirc;ncia das usinas hidrel&eacute;tricas na gera&ccedil;&atilde;o de energia ligaram um sinal de alerta. 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