{"id":2259,"date":"2014-10-23T15:48:00","date_gmt":"2014-10-23T19:48:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2281","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2259","title":{"rendered":"Em: 23\/10\/2014 &agrave;s 15:48h por Valor"},"content":{"rendered":"<p><span>O setor de energia el&eacute;trica encontra-se numa crise sem precedentes e a solu&ccedil;&atilde;o para que voltemos aos trilhos exigir&aacute; medidas muito duras no curto prazo e muito planejamento, gest&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o a m&eacute;dio e longo prazos.<\/span><\/p>\n<p><span>Os cen&aacute;rios para 2015, j&aacute; com um novo governo, ser&atilde;o basicamente dois. No primeiro assumimos que vai chover bastante entre novembro e abril e com isso o abastecimento estaria assegurado. No entanto, para que os reservat&oacute;rios atinjam n&iacute;veis mais confort&aacute;veis, as usinas t&eacute;rmicas permaneceriam ligadas, o que faria que os pre&ccedil;os da energia continuassem muito elevados. No segundo cen&aacute;rio, as chuvas v&ecirc;m com pouca intensidade durante o per&iacute;odo &uacute;mido e com isso teremos de decretar um racionamento em abril ou maio de 2015.<\/span><\/p>\n<p><span>O primeiro cen&aacute;rio &eacute; melhor por evitar o racionamento, fato politicamente ruim, principalmente no in&iacute;cio de um novo governo, mas por outro lado teremos a continuidade de um ciclo de pre&ccedil;os muito altos, que t&ecirc;m provocado &#8211; e continuar&atilde;o a provocar &#8211; danos irrepar&aacute;veis aos agentes do setor e &agrave; pr&oacute;pria economia. Portanto, me parece que o pa&iacute;s n&atilde;o resiste a esse cen&aacute;rio de pre&ccedil;os em torno de R$ 500 MWh. Uma medida que certamente ser&aacute; tomada para minimizar os problemas decorrentes desse cen&aacute;rio &eacute; fixar um novo PLD num patamar bem inferior ao atual R$ 822\/MWh.<\/span><\/p>\n<p><span>No entanto, &eacute; importante lembrar que altera&ccedil;&otilde;es no PLD de forma arbitr&aacute;ria e unilateral representam uma nova mudan&ccedil;a nas regras do jogo, o que contribui para elevar ainda mais o risco regulat&oacute;rio e a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica que, praticamente, j&aacute; bateram no teto. O cen&aacute;rio do racionamento tem de ser encarado como poss&iacute;vel e nesse caso teremos de fazer do lim&atilde;o a limonada. O racionamento de 2001 custou, a pre&ccedil;os de hoje, R$ 25 bilh&otilde;es, enquanto a atual pol&iacute;tica de negar os problemas e fazer populismo j&aacute; ultrapassou os R$ 100 bilh&otilde;es. Em qualquer dos dois cen&aacute;rios, a solu&ccedil;&atilde;o vai passar por uma grande discuss&atilde;o reunindo os agentes interessados. O correto ser&aacute; criar algo parecido como o Comit&ecirc; de Gest&atilde;o da Crise que existiu no governo FHC ou um novo Reseb. Na realidade, o racionamento de 2015 j&aacute; deveria ter sido feito em 2014 e s&oacute; n&atilde;o aconteceu pelo fato de a pol&iacute;tica do setor estar atrelada ao calend&aacute;rio eleitoral.<\/span><\/p>\n<p><span>Essa subordina&ccedil;&atilde;o ao calend&aacute;rio eleitoral fez o governo errar na forma como publicou a MP 579 e administrar de forma temer&aacute;ria os reservat&oacute;rios das usinas, que podem chegar ao final de 2014 com n&iacute;veis entre 15% a 17%. Portanto, com ou sem um racionamento, teremos de colocar ordem na casa e dar in&iacute;cio a uma pol&iacute;tica de transi&ccedil;&atilde;o no setor el&eacute;trico at&eacute; 2018. Em 2018, como uma s&eacute;rie de projetos estar&atilde;o maturados, teremos um equil&iacute;brio entre oferta e demanda com pre&ccedil;os competitivos.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o de 2015 a 2018, o combust&iacute;vel ser&aacute; o g&aacute;s natural. Para que isso ocorra, o governo precisa ter uma pol&iacute;tica energ&eacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao g&aacute;s natural, baseada em cinco pontos. O primeiro seria a EPE aumentar a inflexibilidade das t&eacute;rmicas a g&aacute;s, coloc&aacute;-las na base do sistema el&eacute;trico e com isso os propriet&aacute;rios dessas usinas poderiam assinar com a Petrobras e outros fornecedores contratos com maiores take or pay. O segundo &eacute; terminar com a exig&ecirc;ncia da empresa fornecedora de g&aacute;s natural de provar que possui reservas para os pr&oacute;ximos 20 a 25 anos. O terceiro seria organizar leil&otilde;es espec&iacute;ficos para o g&aacute;s natural e permitir o SWAP. O quarto &eacute; promover uma pol&iacute;tica que incentive a cogera&ccedil;&atilde;o a g&aacute;s natural, que possui uma maior efici&ecirc;ncia do que a pr&oacute;pria gera&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica.<\/span><\/p>\n<p><span>Por &uacute;ltimo, a Petrobras deveria cobrar mais barato o pre&ccedil;o do g&aacute;s associado ao petr&oacute;leo ao longo desse per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, a exemplo do que acontece no Chile, com o GNL. Somente dessa forma garantir&iacute;amos o suprimento de energia e passar&iacute;amos a ter tarifas mais baixas, em particular, para a ind&uacute;stria. Para compensar poss&iacute;veis perdas da Petrobras com a redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o do g&aacute;s, bastaria realinhar os pre&ccedil;os da gasolina e diesel pelo pre&ccedil;o do mercado internacional.<\/span><\/p>\n<p><span>Al&eacute;m do aumento da fragilidade do sistema, as consequ&ecirc;ncias da desorganiza&ccedil;&atilde;o do setor t&ecirc;m um custo elevado. Estima-se que somente em 2013 e 2014 sejam gastos quase R$ 80 bilh&otilde;es em recursos provenientes do pr&oacute;prio sistema el&eacute;trico, do Tesouro Nacional e at&eacute; mesmo empr&eacute;stimos da CCEE junto ao sistema banc&aacute;rio. E ainda assim, as tarifas ao consumidor t&ecirc;m apresentado reajustes acima de 20%. &Eacute; fundamental que o pr&oacute;ximo governo implemente mudan&ccedil;as na administra&ccedil;&atilde;o do setor el&eacute;trico, para que n&atilde;o se repitam os erros dos &uacute;ltimos anos.<\/span><\/p>\n<p><span>A primeira &eacute; a necessidade de revogar ou rever a Lei 12.783\/13, sob pena de no curto prazo inviabilizar a ind&uacute;stria com tarifas elevadas, processo de judicializa&ccedil;&atilde;o com os atuais concession&aacute;rios, e, no m&eacute;dio prazo, culminar no fim do mercado livre. A segunda &eacute; que a pol&iacute;tica energ&eacute;tica precisa conversar com a pol&iacute;tica industrial e com a ambiental. A terceira &eacute; que precisamos ter um ambicioso plano de uso eficiente da energia. A quarta &eacute; que assim como em outros setores da economia, &eacute; preciso mudar e modernizar a politica tribut&aacute;ria do setor, que hoje &eacute; visto como um mero arrecadador de impostos. A quinta &eacute; que temos de abandonar o intervencionismo exagerado, voltar a dar mais autonomia e independ&ecirc;ncia para as ag&ecirc;ncias reguladoras e passar a ter um planejamento com previsibilidade, uma gest&atilde;o que resolva o problema do atraso nas obras e um governo que entenda que se ele quer investidores de qualidade &eacute; preciso respeitar o equil&iacute;brio econ&ocirc;mico financeiro da empresa e n&atilde;o olhar o lucro como um pecado mortal.<\/span><\/p>\n<p><span>Logo no in&iacute;cio do pr&oacute;ximo governo, ter&atilde;o que ser decididas as bases da renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de 39 distribuidoras, que respondem por 35% do mercado regulado de distribui&ccedil;&atilde;o de energia nacional e vencem em 2015. At&eacute; agora, n&atilde;o h&aacute; clareza sobre a condu&ccedil;&atilde;o do processo e o risco &eacute; se criar uma nova surpresa negativa para o setor. Por outro lado, essa pode ser uma excelente oportunidade para come&ccedil;ar a corrigir os rumos do setor.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de energia el&eacute;trica encontra-se numa crise sem precedentes e a solu&ccedil;&atilde;o para que voltemos aos trilhos exigir&aacute; medidas muito duras no curto prazo e muito planejamento, gest&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o a m&eacute;dio e longo prazos. Os cen&aacute;rios para 2015, j&aacute; com um novo governo, ser&atilde;o basicamente dois. 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