{"id":2176,"date":"2014-10-13T16:32:00","date_gmt":"2014-10-13T20:32:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-2198","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=2176","title":{"rendered":"Em: 13\/10\/2014 &agrave;s 16:32h por Canal Energia"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>Uma frase muito utilizada em algumas an&aacute;lises na Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica diz que &ldquo;uma mentira quando &eacute; contada mil vezes torna-se uma verdade&rdquo;. &Eacute; assim tamb&eacute;m com a quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o no mercado de energia el&eacute;trica brasileiro.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>H&aacute; pouca d&uacute;vida que estamos vivendo uma escassez de energia no Brasil, com custos de produ&ccedil;&atilde;o elevados e, consequentemente, pre&ccedil;os altos no mercado el&eacute;trico de curto prazo. Embora n&atilde;o seja consensual, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; grandes questionamentos sobre a exist&ecirc;ncia da lei da oferta e da procura na economia. O pre&ccedil;o, como express&atilde;o monet&aacute;ria do valor, &eacute; o seu term&ocirc;metro. Os livros-texto preveem duas solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas quando o pre&ccedil;o est&aacute; alto e se deseja reduzi-lo. Ou se aumenta a oferta ou se diminui o consumo.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Embora a forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os da energia seja um pouquinho mais complexa, ela n&atilde;o foge muito aos fundamentos econ&ocirc;micos. Uma alternativa n&atilde;o convencional seria &ldquo;diminuir artificialmente o pre&ccedil;o&rdquo;, ou seja: reduzi-lo por decreto. Esta alternativa tem sido chamada pelo mercado de marretar o PLD &ndash; Pre&ccedil;o de Liquida&ccedil;&atilde;o das Diferen&ccedil;as &ndash; que &eacute; o term&ocirc;metro da oferta e demanda de energia no Brasil.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Vamos por partes: a principal caracter&iacute;stica dos mercados de energia &eacute; o processo de despacho f&iacute;sico do sistema e forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os de curto prazo (ou pre&ccedil;os &ldquo;spot&rdquo;). Existem basicamente dois tipos de solu&ccedil;&atilde;o: (i) forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os pelo mercado &#8211; oferta x demanda &#8211; e despacho baseado nos pre&ccedil;os ofertados, que &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o adotada em numerosos pa&iacute;ses, inclusive os dotados de sistemas fortemente hidrel&eacute;tricos como os casos da &nbsp;Noruega e da Col&ocirc;mbia; e (ii) despacho centralizado baseado em custos ou pre&ccedil;os auditados. N&oacute;s, da Abraceel, defendemos o primeiro, embora toda a discuss&atilde;o atual se d&ecirc; em torno da situa&ccedil;&atilde;o brasileira, que &eacute; a segunda alternativa.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>No Brasil, o planejamento da opera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica &eacute; realizado de forma centralizada e coordenada pelo ONS atrav&eacute;s de modelos computacionais. As usinas s&atilde;o despachadas com base na ordem de m&eacute;rito econ&ocirc;mico, ou custo marginal de produ&ccedil;&atilde;o &ndash; teoria marginalista: da mais barata para a mais cara. Um subproduto das decis&otilde;es operativas &eacute; o &ldquo;custo marginal de opera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, base para formar o Pre&ccedil;o de Liquida&ccedil;&atilde;o de Diferen&ccedil;as (PLD) na CCEE.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Recentemente, a Aneel abriu uma Consulta P&uacute;blica para discutir essa quest&atilde;o com um fundamento t&eacute;cnico s&oacute;lido &ndash; na ess&ecirc;ncia manter os fundamentos econ&ocirc;micos para a defini&ccedil;&atilde;o do piso e o teto do PLD. Os agentes se manifestaram de forma diversa: uma parte quer a manuten&ccedil;&atilde;o dos fundamentos econ&ocirc;micos e outra parte deles quer uma solu&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica, em face das circunst&acirc;ncias atuais, de &ldquo;marretar o PLD&rdquo;, tendo em vista que analisam suas posi&ccedil;&otilde;es individuais conjunturais de exposi&ccedil;&atilde;o ao pre&ccedil;o alto e veem como solu&ccedil;&atilde;o imediata: a marreta. Mas isto tem implica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, em particular para o consumidor.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Em primeiro lugar, o pre&ccedil;o &eacute; simplesmente o term&ocirc;metro da oferta e demanda. Assim, um PLD artificialmente maior ou menor n&atilde;o vai aumentar nem diminuir a oferta de energia. Tampouco os custos de produ&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o alterados. O que vai haver &eacute; uma dan&ccedil;a do dinheiro entre os agentes sobre quem paga a conta. Para o consumidor, uma inefici&ecirc;ncia na defini&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os de curto prazo &ndash; e consequente descolamento do despacho f&iacute;sico &ndash; gera uma perda do sinal econ&ocirc;mico e o afastamento do ponto &oacute;timo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo de equil&iacute;brio do mercado, gerando inefici&ecirc;ncia produtiva e alocativa dos recursos, al&eacute;m de custos (ESS_SE) a serem pagos pelos pr&oacute;prios consumidores. Na pr&aacute;tica, o que est&aacute; em discuss&atilde;o &eacute; a transfer&ecirc;ncia de custos que seriam pagos por agentes descontratados no mercado para os consumidores de energia, mesmo aqueles que adotaram uma estrat&eacute;gia correta de contrata&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Em um mercado em equil&iacute;brio, os pre&ccedil;os devem ser suficientes para cobrir os custos fixos e vari&aacute;veis dos geradores. Se o pre&ccedil;o n&atilde;o recuperar os custos fixos, investidores n&atilde;o construir&atilde;o novas usinas, ou usinas em opera&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o desativadas por desequil&iacute;brio econ&ocirc;mico-financeiro e um aumento de demanda (em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oferta) elevar&aacute; esse mesmo pre&ccedil;o. Por outro lado, se o pre&ccedil;o fornecer mais renda que o necess&aacute;rio, novos investidores construir&atilde;o usinas para se apropriar desta renda, o que aumentar&aacute; a oferta e o pre&ccedil;o cair&aacute;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Outro aspecto relacionado a incentivos econ&ocirc;micos &eacute; a resposta da demanda ao pre&ccedil;o. Reduzir o teto de pre&ccedil;o na marreta significa transferir os custos de gera&ccedil;&atilde;o por outras formas menos eficientes &ndash; no caso, via encargo de servi&ccedil;o de sistema. Ao se perder o sinal da escassez dos recursos, o consumo &eacute; mantido e, consequentemente, a necessidade da gera&ccedil;&atilde;o com pre&ccedil;os elevados. Assim, reduzir o limite de pre&ccedil;o de curto prazo n&atilde;o significa diminuir o custo, mas somente a sua forma de aloca&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>No mercado livre, os consumidores &ndash; mesmo contratados &ndash; percebem os sinais de pre&ccedil;os de curto prazo e s&atilde;o capazes de reagir, reduzindo seu consumo em momentos de escassez (pre&ccedil;os elevados) e aumentando sua carga em momentos de abund&acirc;ncia de recursos (pre&ccedil;os baixos).<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A resposta da demanda &eacute; um instrumento valioso &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do setor el&eacute;trico brasileiro e de seus consumidores, capaz de alinhar os objetivos de seguran&ccedil;a e confiabilidade do abastecimento com a modicidade de pre&ccedil;os e tarifas estabelecida em Lei, tornando-se uma aliada do regulador, operador e governo.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A quest&atilde;o da marretada do PLD est&aacute; sendo discutida h&aacute; algum tempo no setor como uma solu&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica para as circunst&acirc;ncias atuais, sendo que muitos repetem acriticamente, sem demonstrar a m&aacute;xima que o pre&ccedil;o elevado no mercado livre beneficia a um conjunto pequeno de agentes em detrimento do consumidor de energia el&eacute;trica. A decis&atilde;o a ser tomada pela Aneel sobre os limites do PLD n&atilde;o deve ser contaminada pela situa&ccedil;&atilde;o conjuntural de exposi&ccedil;&atilde;o de alguns agentes, mas, sim, pelos fundamentos estruturais do setor, privilegiando a contrata&ccedil;&atilde;o de energia e os sinais econ&ocirc;micos para agentes, consumidores e investidores. Ser&aacute; que no per&iacute;odo eleitoral que estamos vivendo, no qual o marketing pol&iacute;tico tem prevalecido sobre o fundamento das quest&otilde;es, tamb&eacute;m vai prevalecer na forma&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o da energia el&eacute;trica o falso argumento repetido mil vezes?&nbsp;<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Por essa raz&atilde;o, sempre defendi a independ&ecirc;ncia da Aneel para que a Ag&ecirc;ncia tome decis&otilde;es consistentes e coerentes em favor dos consumidores no longo prazo e n&atilde;o se renda as circunst&acirc;ncias do momento.<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma frase muito utilizada em algumas an&aacute;lises na Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica diz que &ldquo;uma mentira quando &eacute; contada mil vezes torna-se uma verdade&rdquo;. &Eacute; assim tamb&eacute;m com a quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o no mercado de energia el&eacute;trica brasileiro. 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