{"id":17647,"date":"2015-06-08T17:27:00","date_gmt":"2015-06-08T21:27:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-3404","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=17647","title":{"rendered":"Em: 08\/06\/2015 &agrave;s 17:27h por"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>Apesar de o governo prever a realiza&ccedil;&atilde;o de oito leil&otilde;es para ampliar a oferta de gera&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica at&eacute; dezembro, o consumidor vai continuar arcando com pre&ccedil;os altos na conta de luz nos pr&oacute;ximos anos. Segundo analistas, para atrair investidores para esses projetos, o governo vem aumentando o pre&ccedil;o m&aacute;ximo das tarifas que podem ser cobradas pelos empreendedores pelos seus servi&ccedil;os. Na disputa, vence quem oferecer o menor valor a partir da tarifa-teto fixada pelo governo. Como resultado, o pre&ccedil;o m&eacute;dio das tarifas de gera&ccedil;&atilde;o, que vem aumentando desde 2012, tende a subir ainda mais.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ao todo, o governo prev&ecirc; quatro leil&otilde;es de gera&ccedil;&atilde;o de energia e outros quatro para ampliar o sistema de transmiss&atilde;o. Os certames poder&atilde;o gerar investimentos de at&eacute; R$ 109 bilh&otilde;es. Por&eacute;m, especialistas acreditam que a crise econ&ocirc;mica que afetou o caixa das empresas, o d&oacute;lar alto e a redu&ccedil;&atilde;o dos financiamentos por parte do BNDES tornar&atilde;o mais dif&iacute;cil o sucesso das rodadas.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Segundo a consultoria Safira, o pre&ccedil;o m&eacute;dio da venda de energia nos leil&otilde;es de A-5 (quando a energia s&oacute; entra no sistema em cinco anos) por megawatt\/hora aumentou &agrave; medida que a crise energ&eacute;tica se agravou, com a falta de chuvas: subiu de R$ 91,25, em dezembro de 2012, para R$ 259,19, em abril deste ano.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; Essa alta reflete a percep&ccedil;&atilde;o de um risco maior, j&aacute; que os investidores passam por um cen&aacute;rio de crise mundial, o que acaba reduzindo o n&uacute;mero de interessados. Com isso, o des&aacute;gio acaba sendo menor, pois h&aacute; menos concorr&ecirc;ncia. H&aacute; ainda o d&oacute;lar alto, que encarece os projetos. O desafio para atrair investidores &eacute; a precifica&ccedil;&atilde;o do leil&atilde;o, que tem de ser maior por conta ainda dos riscos regulat&oacute;rios. A m&eacute;dio prazo, a tend&ecirc;ncia &eacute; de pre&ccedil;os mais elevados &mdash; diz F&aacute;bio Cuberos, da Safira.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Edmar de Almeida, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, acredita que, apesar das dificuldades da economia brasileira, os leil&otilde;es v&atilde;o atrair investidores, mas a um pre&ccedil;o muito alto para o consumidor:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; N&atilde;o tenho d&uacute;vidas quanto ao sucesso dos leil&otilde;es, mas os pre&ccedil;os da energia est&atilde;o subindo muito.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>H&aacute; ainda atrasos no cronograma, o principal deles &eacute; no complexo do Rio Tapaj&oacute;s, no Par&aacute;. A primeira usina, S&atilde;o Luiz de Tapaj&oacute;s, que estava prevista para ir a leil&atilde;o no fim do ano passado, foi adiada para o fim deste ano. Com capacidade de 8 mil megawatts, &eacute; o maior projeto planejado para os pr&oacute;ximos cinco anos. Para efeitos de compara&ccedil;&atilde;o, Belo Monte ter&aacute; 11 mil megawatts de capacidade. O presidente da Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica (EPE), Maur&iacute;cio Tolmasquim, j&aacute; admite novo adiamento no leil&atilde;o, citando uma pol&ecirc;mica se o projeto atingiria ou n&atilde;o terras ind&iacute;genas. Analistas acreditam que Tapaj&oacute;s ser&aacute; postergado tamb&eacute;m devido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o dos investimentos da Eletrobr&aacute;s e &agrave; crise nas empreiteiras desencadeada pela opera&ccedil;&atilde;o Lava-Jato.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Entre outros leil&otilde;es de gera&ccedil;&atilde;o previstos para este ano, tr&ecirc;s s&atilde;o os chamados &ldquo;reserva&rdquo; &mdash; cujo objetivo &eacute; gerar energia a curto prazo. Mas a expectativa do mercado &eacute; com o leil&atilde;o A-3, que prev&ecirc; gerar energia a partir de 2018 e investimentos, segundo o governo, de R$ 74 bilh&otilde;es com base nos 521 projetos cadastrados. O pre&ccedil;o-teto ainda n&atilde;o foi divulgado.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Thais Prandini, diretora da Thymos, destaca que o desafio principal para o sucesso dos leil&otilde;es &eacute; a quest&atilde;o do financiamento. Segundo ela, o BNDES, que at&eacute; o ano passado financiava at&eacute; 70% do projeto, reduziu para at&eacute; 50% neste ano:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; Como vai se financiar esses empreendimentos? O custo ser&aacute; mais alto, at&eacute; porque as linhas do BNDES s&atilde;o atrativas. E isso vai se refletir na tarifa. Assim, para atrair mais investimentos, h&aacute; uma expectativa que o valor da energia continue aumentando. O caixa das empresas est&aacute; curto.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>O governo se mostra otimista. Tolmasquim, da EPE, afirmou que, independentemente das dificuldades econ&ocirc;micas, os projetos t&ecirc;m receita garantida ao longo de todo o per&iacute;odo de concess&atilde;o (de 30 anos):<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; N&atilde;o tenho d&uacute;vida que vai ser sucesso (os leil&otilde;es), dado o interesse grande dos empreendedores e da oferta maior de projetos do que a demanda.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Para Tolmasquim, as regras dos contratos para os projetos de gera&ccedil;&atilde;o foram ajustados &agrave; nova realidade, como a redu&ccedil;&atilde;o do financiamento do BNDES, o c&acirc;mbio, o peso da importa&ccedil;&atilde;o de equipamentos, entre outros fatores, para torn&aacute;-los atraentes:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; O Brasil vai voltar a crescer e tem que ter energia para isso. Esses leil&otilde;es s&atilde;o principalmente para aumentar a oferta de energia a partir de 2018.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Apesar de governo e analistas citarem a redu&ccedil;&atilde;o do patamar de financiamento do BNDES, o banco disse que &ldquo;para os leil&otilde;es, as regras s&atilde;o definidas caso a caso&rdquo;. Otimista, o diretor-geral da Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (Aneel), Romeu Rufino, diz que h&aacute; investidores com apetite, como os chineses. Em rela&ccedil;&atilde;o aos quatro leil&otilde;es de transmiss&atilde;o, eles prev&ecirc; investimentos de R$ 35 bilh&otilde;es com as quatro linhas. A maior ser&aacute; de 2.500 quil&ocirc;metros do chamado bipolo para transportar a energia da usina hidrel&eacute;trica de Belo Monte, em constru&ccedil;&atilde;o no Rio Xingu, no Par&aacute;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; O setor el&eacute;trico n&atilde;o pode esperar a demanda crescer para correr atr&aacute;s de obras. Precisa planejar a longo prazo. Mas &eacute; um desafio para a Aneel realizar os leil&otilde;es, pode n&atilde;o ter investidores no n&iacute;vel necess&aacute;rio &mdash; admite.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Rufino cita dificuldades a serem superadas, como as quest&otilde;es socioambientais. Em nota, o Minist&eacute;rio de Minas e Energia (MME) disse que &ldquo;investimentos em infraestrutura como esses s&atilde;o de longo prazo, e o peso de fatores conjunturais nas decis&otilde;es &eacute; relativizado&rdquo;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Mas Thais, da Thymos, diz que o governo ter&aacute; de elevar a tarifa para a gera&ccedil;&atilde;o e a receita anual permitida para a transmiss&atilde;o como forma de atrair as empresas.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&mdash; Chegar a esse volume de investimento &eacute; um desafio com as regras de hoje. Se n&atilde;o tiver mudan&ccedil;a, com a eleva&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, podemos ter lotes vazios.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>(O Globo)<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de o governo prever a realiza&ccedil;&atilde;o de oito leil&otilde;es para ampliar a oferta de gera&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica at&eacute; dezembro, o consumidor vai continuar arcando com pre&ccedil;os altos na conta de luz nos pr&oacute;ximos anos. 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