{"id":16906,"date":"2015-05-04T16:13:00","date_gmt":"2015-05-04T20:13:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"RSS-3202","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sindenergia.com.br\/seminario\/?p=16906","title":{"rendered":"Em: 04\/05\/2015 &agrave;s 16:13h por"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>Se consumidores, geradores, transmissores e distribuidores n&atilde;o ajudarem a construir as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de energia em conjunto com o parlamento e os demais minist&eacute;rios relacionados ao problema, ser&atilde;o sempre os ungidos do MME (Minist&eacute;rio de Minas e Energia) e EPE (Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica) que as far&atilde;o sozinhos.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Na verdade, interesses espec&iacute;ficos eleitorais, menos republicanos, poder&atilde;o manter decis&otilde;es do Pal&aacute;cio do Planalto, frequentemente opacas, sem escuta, tramadas em gabinetes onde meia d&uacute;zia de burocratas se arvoram int&eacute;rpretes do bem e do bom para a Na&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>S&atilde;o eles coautores, por exemplo, do tsunami de 11 de setembro de 2012, data da publica&ccedil;&atilde;o da Medida Provis&oacute;ria 579, que arruinou a ordem energ&eacute;tica do pa&iacute;s, a t&iacute;tulo de dar kWh barato aos extratos de renda mais baixos da popula&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Hoje esses extratos pagam tarifas alpinistas campe&atilde;s no mundo. Ali&aacute;s, s&atilde;o as mesmas autoridades, nas coxias de Bras&iacute;lia ou do Rio de Janeiro, os autores que jogaram no lixo 2 GW ou R$ 10 bilh&otilde;es de investimentos em nova gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica (em 2012\/13). Faleceu o conjunto de projetos reunidos na ABIAPE (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Investidores em Auto Produ&ccedil;&atilde;o de Energia), que procuravam se viabilizar desde o per&iacute;odo de FHC, governo no qual venceram leil&otilde;es sob o regime de outorga onerosa.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Na mesma cartografia, h&aacute; uma d&eacute;cada as autoridades vieram desprezando e dificultando, de v&aacute;rias formas, a implanta&ccedil;&atilde;o de mais 10 GW de pequenas centrais hidrel&eacute;tricas de baixo impacto ambiental, num Brasil carente de investimentos e de energia.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>S&atilde;o mais de R$ 70 bilh&otilde;es em 810 projetos que gerariam 65% de uma nova Itaipu, sem os impactos que a gigante nos causou. Afinal, o lago m&eacute;dio de uma PCH mede 150 hectares, ou menos do que 15 campos de futebol oficial.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Em suas margens, o empreendedor, injustamente tratado como depredador, &eacute; dentre as fontes renov&aacute;veis obrigado a criar uma &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o permanente, com esp&eacute;cies nativas de fauna e flora, impedindo a eros&atilde;o, a ocupa&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria irregular, a deposi&ccedil;&atilde;o de lixo, entulhos, esgotos, contribuindo ainda para o controle de cheias, com as frequentes ocorr&ecirc;ncias fatais que as acompanham.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Apresento esta introdu&ccedil;&atilde;o, caro leitor, para que, sist&ecirc;mico, possa refletir, de modo coeso e articulado, a pol&iacute;tica oficial em torno de uma disc&oacute;rdia profunda e relevante para o setor el&eacute;trico e o pa&iacute;s, que &eacute; o tema das garantias f&iacute;sicas das geradoras de energia hidrel&eacute;trica.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Na leitura da EPE, por exemplo, as manifesta&ccedil;&otilde;es de associa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o descart&aacute;veis, embora questionem o &acirc;mago das metodologias apenas porque representam interesses espec&iacute;ficos.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Ora, e quais seriam os interesses inespec&iacute;ficos da EPE quando promove, ao seu bel prazer, alegando raz&otilde;es ambientais inespec&iacute;ficas, o n&atilde;o-aproveitamento do potencial remanescente de 155 GW de energia hidroel&eacute;trica brasileira?<\/div>\n<p><\/p>\n<div>E quando ela aprofunda nossa depend&ecirc;ncia de enormes quantidades de energia gerada com os caros, importados e poluentes diesel e &oacute;leo combust&iacute;vel? Ao inv&eacute;s de a oitiva da EPE se debru&ccedil;ar sobre o interesse coletivo, em busca de distintas percep&ccedil;&otilde;es, ela desfaz, dilui aquele que sacode, que obriga a repensar, mesmo que expresse fra&ccedil;&atilde;o dominante da opini&atilde;o setorial. Num pa&iacute;s sem agenda, de ministros que n&atilde;o falam a mesma l&iacute;ngua, nem mesmo todas as institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa disp&otilde;em de &nbsp;b&uacute;ssolas fora da exibi&ccedil;&atilde;o de poder.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>O que seria da governan&ccedil;a sem as associa&ccedil;&otilde;es (das quais se espera &eacute;tica por serem plurais) que organizem a interlocu&ccedil;&atilde;o da sociedade\/governo? Ora, a resposta adv&eacute;m do papel da interlocu&ccedil;&atilde;o efetiva (governo\/sociedade) no funcionamento da democracia e da res p&uacute;blica. Sua pr&aacute;tica &eacute; imprescind&iacute;vel.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Dessa forma, obediente ao limite legal de risco de d&eacute;ficit de 5%, quero tratar da garantia f&iacute;sica das geradoras hidrel&eacute;tricas de todos os tamanhos porque ela est&aacute; no v&oacute;rtice da tempestade perfeita do Brasil.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Um modelo f&iacute;sico, sob constante m&eacute;trica, para basear o c&aacute;lculo da garantia, v&aacute;lido para cada usina, &eacute; desej&aacute;vel. At&eacute; ent&atilde;o o dimensionamento f&iacute;sico dos reservat&oacute;rios era essencial, mas um modelo de custo econ&ocirc;mico foi adotado depois de 2008. Ele n&atilde;o as elimina por completo e cria mais imprevisibilidades.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Por ora, a meu ver, a seguran&ccedil;a da opera&ccedil;&atilde;o e do planejamento, urgentemente, implica em que, com total transpar&ecirc;ncia e ader&ecirc;ncia &agrave; economia real, todos os modelos deveriam ser rodados e precisam convergir (como acontece nas ci&ecirc;ncias aplicadas da meteorologia, que lidam com milhares de trajet&oacute;rias de incertezas).<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Veja-se que o levantamento batim&eacute;trico para apurar o real volume de acumula&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas dos lagos est&aacute; atrasado no Brasil h&aacute; pelo menos uma d&eacute;cada. Sente-se falta tamb&eacute;m da aferi&ccedil;&atilde;o dos impactos de usinas despachadas ou n&atilde;o que exercem influ&ecirc;ncia nas atividades das demais.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A opera&ccedil;&atilde;o obedece a normas ex&oacute;genas &agrave;s vaz&otilde;es naturais das bacias hidrogr&aacute;ficas. Muitas vezes a navega&ccedil;&atilde;o, a irriga&ccedil;&atilde;o, a hotelaria, a pesca, o saneamento prevalecem sobre a vari&aacute;vel de energia el&eacute;trica.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Por sua vez, cito a expert Leontina Pinto, que critica a metodologia adotada para hidrel&eacute;tricas com mais de 50MW de pot&ecirc;ncia, depois de 2008: &ldquo;N&atilde;o &eacute; estabelecida a metodologia de c&aacute;lculo de custo marginal de expans&atilde;o ou da toler&acirc;ncia admiss&iacute;vel &ndash; e a configura&ccedil;&atilde;o inicial &eacute;, em si, incerta. As condi&ccedil;&otilde;es de suprimento futuro s&atilde;o derivadas do passado, que pode n&atilde;o se repetir (e normalmente n&atilde;o se repete). N&atilde;o s&atilde;o consideradas as varia&ccedil;&otilde;es das usinas n&atilde;o despachadas (e&oacute;licas, biomassa, PCHs)&hellip;&rdquo;.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Para pequenas centrais a metodologia &eacute; mais simples, por&eacute;m igualmente carente de aperfei&ccedil;oamentos, diz Leontina Pinto. Observe-se que a garantia f&iacute;sica &eacute; o m&iacute;nimo de energia que a usina pode entregar, em condi&ccedil;&otilde;es adversas. Para as PCHs, o m&iacute;nimo sai de uma m&eacute;dia de um per&iacute;odo hist&oacute;rico mais longo, pois suas vaz&otilde;es s&atilde;o mais incertas. Ela &eacute;, em qualquer caso, medida em MWm&eacute;dios o que sup&otilde;e no m&iacute;nimo per&iacute;odos anuais.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Note-se tamb&eacute;m que nos &uacute;ltimos dez ou doze anos, em v&aacute;rias regi&otilde;es do Brasil, em diversas bacias, a gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica tem se situado abaixo da garantia m&iacute;nima calculada segundo a metodologia da EPE.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Isso motiva sua revis&atilde;o e reconceitua&ccedil;&atilde;o, remetendo-nos &agrave; mesma situa&ccedil;&atilde;o de 1980. &Eacute; &oacute;bvio que n&atilde;o se pode exigir de uma PCH a eterna garantia f&iacute;sica, pois ela nada mais &eacute; do que uma m&eacute;dia hist&oacute;rica abalada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas de curto e m&eacute;dio prazo. Mas h&aacute; consequ&ecirc;ncias financeiras mortais, como se ler&aacute; adiante.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Para o conjunto das usinas hidrel&eacute;tricas coligadas (na propor&ccedil;&atilde;o de suas garantias f&iacute;sicas) no condom&iacute;nio do MRE &ndash; mecanismo de realoca&ccedil;&atilde;o de energia, as severidades clim&aacute;ticas, desde 2013\/14 criaram um rombo contratual anual superior a R$ 20 bilh&otilde;es porque o pool produziu cerca de 10% abaixo do m&iacute;nimo. Quem paga a conta se o governo tem enormes responsabilidades nisso? Por enquanto, o investidor que acreditou e empregou a metodologia ditada pelo MME.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>O tempo trabalha contra. &Eacute; inevit&aacute;vel, portanto, uma solu&ccedil;&atilde;o estrutural, ou seja a veloz e s&eacute;ria, profunda e envolvente nova revis&atilde;o, em Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica, da nota t&eacute;cnica da Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica EPE-DEE-RE-0099\/08 e tudo o que dela derivou na EPE-DEE-RE 0102\/08.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Sem essa provid&ecirc;ncia, nada resistir&aacute; solidamente no setor el&eacute;trico brasileiro. Persistir&atilde;o as falhas no planejamento, principalmente na expans&atilde;o. Ser&atilde;o alimentadas novas severidades feitas tempestades. (Canal Energia)<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se consumidores, geradores, transmissores e distribuidores n&atilde;o ajudarem a construir as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de energia em conjunto com o parlamento e os demais minist&eacute;rios relacionados ao problema, ser&atilde;o sempre os ungidos do MME (Minist&eacute;rio de Minas e Energia) e EPE (Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica) que as far&atilde;o sozinhos. 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